Hindu

“Então Ele se deu conta, e disse: Eu sou a criação, pois Eu a retirei de mim mesmo. Desse modo Ele se tornou a sua criação. 
Em verdade, aquele que conhece isso se torna, nessa criação, um criador”. 
(Upanishads)

O Hinduísmo não separa o conhecimento em compartimentos estanques. A filosofia, a mitologia e a espiritualidade nessa tradição estão integradas. O mito tem grande importância porque procura uma maneira de apreender a essência das coisas e fatos. Por isso descreve não apenas uma realidade, mas a percepção humana de eventos e experiências da realidade. As filosofias da Índia se concentram na essência da verdade última e fundamental. Consideram o pensamento lógico inadequado e insuficiente para captar e expressar essa verdade. A espiritualidade é vivenciada naturalmente, e o sagrado está presente no cotidiano experimentado pelos adeptos do hinduísmo. Sem dúvida o coração espiritual do mundo pulsa e vibra nessa tradição milenar que apresenta uma concepção unificante do sentido da vida, e de estar vivo.

COSMOLOGIA E TEOGONIA
O MITO PRIMAL

No vazio, infinitas possibilidades navegavam entre o ser e o não ser. Brahman, Aquele que se expande, e que não tem início nem fim, Aquele que é e que está além do tempo e do espaço, e de toda compreensão e definição, decide criar. 

Brahma
Da sua vontade a energia criadora Brahma desabrocha. Brahma, que estava em estado latente, adormecido nos infinitos azuis, aguardava o momento de entrar em ação. Ele desperta e tem inicio a criação e manifestação dos universos, das galáxias e dos mundos. 

Quando Brahma desperta, o “OM”, o “Pranava” o som da criação desloca a energia da qual todas as coisas são manifestações. De seus olhos emana a luz que revela e do som a forma ao universo, as miríades de galáxias, e sistemas estelares. Assim nasce o Dia de Brahma, que terá a duração de 311 trilhões de anos. 

Quando o universo atinge o máximo de sua expansão começa a retrair-se e desaparece. O vazio outra vez espera o momento do nascimento de mais um Dia de Brahma ter início. Isso acontecerá quando pela vontade de Brahman outro universo nascerá e assim sucessivamente. 

É interessante lembrar que a mitologia hindu já falava de expansão e retração do universo mais de cinco mil anos atrás. Hoje os astrônomos e astrofísicos confirmam cientificamente as afirmações feitas pelos mitos hindus da criação. 

A seguir, Brahma, a energia criadora, faz surgir de si mesmo seu aspecto feminino Saraswati, a deusa da sabedoria, a portadora do conhecimento e da inspiração. A deusa, que detém em suas mãos os livros sagrados e a “vina”, um instrumento de cordas que ao serem tangidas libera o som do “OM”. 

Na sequência, Vishnu, a energia mantenedora, surge deitado sobre a serpente da eternidade navegando no oceano cósmico. Dele surge seu aspecto feminino Lakshimi, a deusa da beleza, harmonia, criatividade e acolhimento. Ele dorme e sonha, e o seu sonho se traduz como a manifestação material da vida. Lakshimi, com amor, massageia seus pés suavemente para que ele não acorde, e Maya, a ilusão, continue mantendo a realidade material, e a forma de todas as coisas. 

Shiva, a potência transformadora, dança a Tandava, a dança das possibilidades, da transformação, então entra em ação. Ele é a energia que movimenta a criação e destruição de tudo que existe. Shiva, assim como Brahma e Vishnu, também estão no interior de todos os seres, que por sua vez são partículas infinitesimais do universo e emanações de Brahman, O Indecifrável e eternamente louvado.  



COMENTÁRIO

Platão disse que a alma é uma círculo e Deus é um ponto no centro do círculo. Seguindo esse raciocínio, os mitos primais e a teogonia e cosmologia hindus ensinam que do centro do círculo, Brahman, o ponto, emana sua vontade, e sua vontade se revela como a criação, a manutenção e a transformação de tudo que existe. É desse centro que provém a energia que tem como vestimenta sagrada a natureza, e nos faz humanos e divinos ao mesmo tempo. Somos cocriadores, mantenedores e transformadores, assim como os três aspectos da Trimurthy. Quando rompemos os véus da ignorância, tomamos consciência da nossa verdadeira identidade e origem. A partir daí acontece a conexão com o divino pelo coração, e descobrimos que a transcendência é o esteio da sobrevivência, e o espírito é o lustro e o lastro da razão. E assim atingimos a excelência humana, usufruímos da vida sem empobrecê-la, e servimos a vida com reverência. Desse modo nos capacitamos para a fusão com o divino, o centro do mistério do nosso ser profundo. 


UMA BREVE INTRODUÇÂO AO HINDUÍSMO

Há cerca de 3000 anos A.C., uma civilização muito adiantada habitava o vale do Rio Indo. Pouco se sabe ainda sobre essa civilização, mas as ruínas de duas cidades denominadas Mohenjodaro e Harapa atestam que esse povo possuía uma arquitetura preciosa, excelente traçado urbano, reservatórios de água e sistema de saneamento básico, armazenagem de grãos sofisticados, e anfiteatros para reuniões públicas e espetáculos artísticos. O povo que lá vivia era chamado drávida. 

Esculturas e afrescos nas paredes das duas cidades evidenciam que os drávidas eram muito espiritualizados e que reverenciavam as forças da natureza, e a Mãe Terra. 

Shiva e Shakti
O culto a Shiva, o Senhor da Natureza, e a Shakti, a deusa, assim como à serpente, ao touro e ao elefante era uma característica desse povo. 
Por volta de 1500 A.C., povos nômades arianos chegaram ao vale do rio Indo, vindos do nordeste da Ásia. Os drávidas foram dominados pelos invasores, mas sua cultura e religiosidade se entrelaçaram. Os arianos trouxeram os Vedas, sua filosofia e mitologia, e os panteões mitológicos assim como sistemas filosóficos se mesclaram. Dessa mistura nasceram os fundamentos do hinduísmo. 

O hinduísmo é mais do que uma religião, é também uma filosofia e uma conduta de vida. Não se baseia num único livro sagrado - e sim em vários, todos de igual relevância - e nos ensinamentos de vários mestres. Ele representa uma cultura no mais amplo sentido do termo e, como tal, foi influenciado por outras culturas que para ele convergiram. Dentre essas culturas e religiões que foram importantes na formação do hinduísmo moderno destacam-se o jainismo e o islamismo. Não se trata de uma religião politeísta nem mesmo panteísta como muitos julgam, mas, monista. Baseia-se em um só Princípio que se revela em múltiplos aspectos, os deuses e deusas.

 SHAKTI – A DEUSA
Potência Realizadora

Durga, um dos aspectos da Energia Sagrada Feminina
Para o hinduísmo o idealizador do mundo, para realizar seu desejo, precisa de um poder executivo, de uma energia que materialize sua intenção; essa energia é a Shakti, sua primeira manifestação, seu complemento, nascido de Si mesmo. Sem a Shakti, a Deusa, não há manifestação da criação. Num mundo cuja essência é energia é implícita a necessidade de dois polos aparentemente opostos, mas que são complementares. Já que a matéria não é estável, pois é pura energia organizada no espaço-tempo. O masculino e o feminino, o poder idealizador e o poder materializador. A deusa é a força de coesão, a força centrípeta, que organiza a matéria. Ela é o receptáculo e o sustentáculo de toda a criação manifestada.

COMENTÁRIO

Como energia que movimenta a vida manifestada, a deusa é una e é múltipla. É por isso que ela tem muitos nomes e formas, que podem parecer contrários, mas que são aspectos da unidade na diversidade das expressões de seu poder. A deusa é a energia primordial em movimento, a shakti, é também a origem dos ciclos do tempo. O culto à serpente está ligado à shakti-kundalini. A kundalini (serpente) é a energia adormecida e enrolada no início da coluna vertebral e, quando se desenrola, abre os portais da percepção superior. Por isso Shiva é sempre representado com serpentes em volta do pescoço braços e cintura, e Kali, um dos aspectos da deusa, em alguns lugares da Índia é representada envolta em várias serpentes. 


OS DEUSES
  
BRAHMA

Brahma, a energia criadora do Inominável. É o deus todo impregnado da Divina Essência de onde tudo flui e para onde tudo retorna. Essa essência, embora seja invisível, está presente em todas as coisas. Depois de algum tempo, várias lendas surgiram sobre o nascimento de Brahma como um deus personificado. A mais conhecida delas narra que Brahma, enquanto energia sem forma, criou as águas e nela deixou cair um ovo de ouro, chamado Hiranyagarba. Esse ovo de ouro continha a potencialidade de todas as formas da matéria diferenciada e é a origem da vida e da natureza, e de tudo que existe. A cosmologia hinduísta se baseia no chamado "Dias de Vida de Brahma".  Quando ele desperta de seu sono cósmico e abre os olhos, o universo é criado. A noite de Brahma é a retração do universo. Um dia de Brahma é chamado Kalpa e dura 4.320.000 anos solares. Um ano cósmico equivale a 360 desse dias e dessas noites. A vida completa de Brahma atinge 100 desses anos...

A representação de Brahma é um homem com quatro rostos dos quais são visíveis apenas três já que a outra face está na parte posterior da cabeça. Os rostos representam os 4 quadrantes do universo. Também tem quatro braços e quatro mãos. Na mão direita carrega um recipiente com água, simbolizando a água da vida, na mão direita superior traz um livro que simboliza o conhecimento, os Vedas, Na mão esquerda superior segura uma flor de lótus, símbolo da pureza espiritual, e a mão esquerda inferior abençoa ou traz um “japamala” (um tipo de terço) que simboliza o tempo. É apresentado montado no seu veículo animal, o ganso ou o cisne, que são símbolos do discernimento. Algumas vezes é mostrado dirigindo uma carruagem puxada por 7 gansos que representam os sete mundos. O caráter abstrato do deus Brahma não foi assimilado pela maioria da população e o seu culto por isso se diluiu no tempo, restando muito poucos templos dedicados a ele.


VISHNU
Uma das escrituras sagradas do hinduísmo, o Padma Purana diz que o Ser Supremo desejou manifestar-se e criar o universo e os mundos. Para tal em primeiro lugar, criou a si mesmo, na forma de Brahma, a partir do seu lado esquerdo. A seguir criou Vishnu de seu lado direito. Como havia criado, sentiu a necessidade de preservar sua criação, e para a evolução de Sua obra,  do centro do seu corpo fez brotar Shiwa, o poder responsável pela transformação e renovação constante de tudo que existe.
Sua vontade de preservar a criação se manifestou com Vishnu Narayana. O deus Vishnu Narayana surgiu deitado nos anéis do corpo da serpente Sesha e sonha, e assim preserva a existência navegando pelo oceano cósmico. O sonho de Vishnu é toda a criação; enquanto sonha, do seu umbigo surge o caule de uma flor de lótus, Quando a flor se abre, Brahma senta-se no centro dela para viver seu “kalpa”, o Dia de Brahma. Após esse período, termina o sonho de Vishnu, a flor de lótus se fecha e o universo se dissolve no vazio. A flor desaparece para aparecer no próximo sonho de Vishnu e assim sucessivamente.
Vishnu é representado com pele azul escuro. Possui quatro braços e mãos. Veste-se com uma calça de seda da cor amarelo ouro e traz o dorso nu adornado por jóias. Na cabeça carrega uma coroa ricamente cravejada de pedras preciosas. Carrega em suas mãos uma borduna de ouro, o chakra (roda), um grande búzio e uma flor de lótus. A borduna simboliza a luta pela vida, o chakra a energia que tudo permeia e movimenta, o búzio, representa o som primordial que gera as formas da natureza, e a flor de lótus representa a espiritualidade. No plano superior Vaikunta é a morada, o domínio particular de Vishnu. Como o Senhor de Vaikunta ele é chamado Vaikuntanatta, e é representado com quatro cabeças e oito braços, e simboliza a integração das polaridades, a inteireza. Os avatares são aspectos do deus Vishnu. Esses seres são raios divinos que assumem forma humana e são considerados encarnações terrenas de Vishnu. Muitos templos são dedicados a Vishnu e estão espalhados por toda a Índia.

Comentário – No hinduísmo temos deuses védicos e deuses purânicos. Os deuses védicos trazidos pelos arianos se mesclaram aos deuses preexistentes e às crenças do povo local. Os Puranas são narrativas descritas e condensadas sobre o nascimento, o complemento feminino, ou seja, a deusa shakti do deus, as funções e grandes aventuras e feitos épicos dos diversos deuses e heróis. Alguns deuses védicos foram incluídos nos Puranas, outros se fundiram em um único deus com atributos mais amplos. Vishnu é um exemplo disso. Nos Vedas ele não é um deus importante, porém durante o período épico ele foi identificado com Krishna, o herói máximo do hinduísmo, considerado um deus vivo, e isso redimensionou sua importância.


SHIVA


Shiva significa o bondoso e todo auspicioso. Nas ruínas de Mohenjo-Dharo e Harapa cidades localizadas no vale do rio Indo foram encontradas imagens de 3000 anos  representativas  daquele que veio a ser Shiva, o Senhor dos Três Mundos. Nas esculturas e relevos encontrados ele tem três cabeças, está sentado na posição de iogue, e tem ao seu redor vários animais. Durante mais de 30 anos Shiva vem sendo adorado e várias narrativas purânicas o enaltecem sob diferentes aspectos. Esse deus provavelmente é o precursor de Shiva. 
Os arianos védicos não têm Shiva em seu panteão de deuses, mas Rudra, um deus védico foi assimilado no hinduísmo moderno como um aspecto violento de Shiva. O deus enquanto Rudra é o Senhor das Tempestades, do desencadeamento incontrolável das forças naturais, e é temido pelos outros deuses e visto como o aspecto irado de Shiva. O deus apresenta um aspecto benevolente e um aspecto violento. No Ramayana e no Mahabharata, duas epopéias sagradas do hinduísmo, o deus é o todo poderoso Senhor dos Himalayas e Pashupathi o Senhor da Natureza que tem nas mãos o Trishula, a arma mais poderosa do mundo. Essa arma é um tridente que representa os três mundos, físico, astral e causal assim como os três gunas, qualidades inerentes a tudo que existe: Tamas, inércia, Rajas movimento, Satwa, essência pura. 
O símbolo de Shiva é o Linga, ou Lingam, que significa falo. O portador do mistério do principio criador que dá vida a novos seres e que contém potencialmente toda a herança divina e a memória genética das espécies. No Shiva Purana, Vidyeshvara Samhita, está escrito: “Shiva disse: Não sou diferente do falo. O falo é idêntico a mim. Ele aproxima de mim os fiéis, portanto é preciso venerá-lo. Meus bem amados! Onde há um linga, estou presente.”
A união de Shiva-Shakti é representada pelo Linga depositado na “argüia”, o seu receptáculo. A união do Lingan e da Ione é a integração das polaridades masculina e  feminina, o universo e a natureza em eterna conjunção amorosa. Segundo as escrituras sagradas existem lingans exteriores e interiores e imateriais, não perceptíveis, porém reconhecíveis por aqueles que atingiram o conhecimento superior. As vezes o lingan é representado como um obelisco, um pilar erguido no pátio dos templos dedicados ao deus. Shiva é adorado por milhões de devotos em inúmeros templos espalhados por todo o território indiano.

ASPECTOS DE SHIVA

Nataraja (O Senhor da Dança) – Como Nataraja o deus executa sua dança cósmica denominada Tandava e assim destrói e recria universos e mundos. Trás em uma das mãos o tambor Damaru que tem a força de uma ampulheta, simbolizando a criação do espaço tempo, e quando o deus bate o tambor o OM ressoa em todos os quadrantes do universo criado. Na mão superior do lado direito ele carrega o fogo da transformação e transmutação e a mão do braço inferior aponta para o joelho erguido enquanto ele se equilibra num pé só e dança. Ele reprenta a possibilidade do êxtase da superação dos limites do intelecto, para o contato com o divino para receber mensagens de sabedoria. Como Lalatatilakam, ele tem oito ou dezesseis braços. E tem um dos pés sobre o anão Apasmar, que simpboliza o eu inferior, enquanto o outro se ergue no alto.

Pashupati – O Senhor dos Animais – O rebanho de Shiva-Rudra compreende todos os seres vivos, inclusive a humanidade. Entre animais deuses e humanos a diferença está nos papéis que representam e no nível de consciência. Como Pashupati, Shiva vela pela natureza, pelos animais e pelos homens. Para tem criou os gênios das florestas, os gnomos, as sílfides, sátiros, ninfas e devas (anjos). Pashupati chefia esses gênios e se manifesta através deles no mundo natural. O deus tem como função ensinar aos homens qual o seu verdadeiro lugar e qual o seu papel na natureza. Ele ensina que os seres humanos são mais um dentre os elementos de uma totalidade, e que essa totalidade é a obra de Deus.

Ardhanarishvara – O Divino Hermafrodita – O Princípio Universal. Representado como homem do lado direito e mulher do lado esquerdo. O poder de conceber e o poder de realizar, quando estão reunidos se manifestam no limite entre o manifesto e o não manifesto, esse ponto se chama “bindu”, é o ponto de partida do espaço tempo. É desse ponto que surge “nada” o som sagrado que é a substância do universo. Interessante salientar que o espaço é o princípio feminino e o tempo é o masculino. A divindade é feminina e masculina. O deus no seu aspecto andrógino simboliza a superação dos opostos.

Sthanu- O Pilar de Sustentação – Nesse aspecto o deus é representado como a coluna mestra do templo e sua energia é a coluna mestra que sustenta o caráter dos homens e mulheres que o adoram.

Mahadeva – O Grande Deus – Nesse aspecto ele engloba Girisha, O Senhor da Montanha, é Bhava, o rei, Sharva, o arqueiro, Shambhu o benévolo, Shankara, o todo auspicioso, e todos os outros sob os quais se expressa.

Iogeshwara – Mahaiogue -  nesse aspecto Shiva ensina aos seres do mundo a religação,  o ioga, o caminho do autoconhecimento, da autorrealização e da comunicação sutil com diferentes níveis de realidade.

Gajasura-Murti – O Protetor dos Rituais – Nesse aspecto Shiva é retratado com um pé sobre uma cabeça de elefante e uma perna erguida. Tem seis braços. Do lado esquerdo carrega o tambor Damaru e uma flor de lótus no superior esquerdo a mão espalmada voltada para o lado de fora. Nos braço superior direito um pequeno machado e nos dois inferiores um “pasha” um laço e uma chama acesa. Protege os rituais oferecidos ao Lingan.

Bhairava – O Terrível – É representado de pé acompanhado de um cão. Tem os cabelos eriçados e em chamas.  Tem quatro braços nos dois do lado esquerdo carrega uma naja e um tridente nos da direita o “pash”, o laço e uma cuia. Esse aspecto é reverenciado por marginais e pelos intocáveis.

Sadashiwa – O Eterno – També é conhecido como Panchanana, o que tem cinco faces. É retratado com cinco faces e dez braços. Nesse aspecto ele representa a criação, a preservação, destruição o mistério e a redenção.

OS DEUSES VÉDICOS

Os arianos védicos adoravam as forças da natureza e assim teve início o culto animístico entre eles, isso trouxe a visão da natureza animada e inteligente. Os fenômenos naturais exerciam enorme influencia na vida exterior e no universo interior desses povos. Como os fenômenos eram inexplicáveis e assustadores foram criadas para eles personalidades individuais, características, formas, égides e domínios para que pudessem ser invocados pelas pessoas como entidades divinas. E assim os fenômenos naturais assumiram gradualmente formas humanas, frutos da imaginação coletiva para poder identificar os objetos de sua devoção, louvar e eventualmente aplacar sua ira. A seguir vamos apresentar alguns dos principais deuses védicos.

A TRINDADE VÉDICA - Inicialmente a divina trindade védica se constituía dos deuses Agni, Indra e Surya. Porém vários mitos da criação se referem a Projapati, como do deus criador  do universo, do mundo e de todos os deuses. Dyaus era o nome do céu e Prithivi da Terra e também eram considerados os pais de todos os seres e de todos os deuses.

AGNI -  O fogo sagrado e sacrificial foi personalizado como Agni, e é considerado como o mensageiro luminoso entre os homens e os deuses. Suas labaredas levam às intenções, os desejos, as orações e os sacrifícios dos homens para o céu na esperança de receber graças. Ele é representado com dois ou sete braços, duas cabeças e três pernas. Das duas bocas saem chamas como línguas ardentes, e estas lambem a manteiga clarificada “ghee” oferecida a ele nos rituais. A manteiga clarificada simboliza a purificação da mente. Nas gravuras e estatuas Agni aparece montado em um carneiro ou dentro de uma carruagem puxada por cavalos de fogo. Seus atributos são o machado que abate para recriar, a tocha do fogo transmutador, e a lança flamejante que indica ciminhos de transformação.

INDRA - Ele é senhor de todos os elementos naturais, da fertilidade da terra e da chuva. Seus domínios são os céus. Sempre que a seca avassala a terra e ameaça as populações com a fome e a sede Indra é invocado para que envie as chuvas redentoras. Indra o senhor dos exércitos de devas e elementais do ar comanda inúmeros seres mágicos que produzem sons celestiais e organizam e formam as nuvens. Estas por sua vez trazem as chuvas que eliminam os danos da estiagem. Ele é representado montado em um elefante que possui três trombas e quatro presas. O deus tem quatro braços e seus atributos são a espada que defende do mal e ceifa para  transformar, o arco e as flechas que indicam a intenção e a determinação, um cetro como símbolo do seu poder e um “vajra” curador. Interessante ressaltar que no Tibet o “vajra” já era e é utilizado através dos tempos nos rituais de cura tântrica, trata-se de um objeto que simboliza a união das polaridades, Indra é retratado algumas vezes com dois braços apenas e olhos por todo o corpo.


SURYA - O Deus Sol – É adorado como o criador do universo e aquele que engendrou Yama e Yami as primeiras criaturas humanas sobre a Terra. Os seres correspondentes a Adão e Eva na mitologia judaico cristã. Surya  também é conhecido como Savita. Ele percorre os céus sentado em uma carruagem dourada, puxada por sete cavalos ou por um só cavalo com sete cabeças. Ele é todo dourado e traz na cabeça uma coroa e atraz dele um resplendor. É representado com duas mãos, em cada uma delas carrega uma flor de lótus ou então com quatro braços e mãos, carregando delas uma flor de lótus, um disco que gira em velocidade (chakra), um búzio e numa delas faz o “abaya mudra”, o gesto que significa “não tema”. No hinduísmo moderno Surya ocupa uma posição pouco significativa. Ele está entre os deuses associados aos planetas e estrelas. Atualmente Surya vem sendo cada vez mais assimilado por Vishnu.


SOMA – O deus do êxtase. Soma rege a mente humana e  produz “amrita” que é o alimento dos deuses. Ele é filho de Varuna, o senhor dos oceanos que lhe ofereceu o posto de deus da lua. Os 36.000 deuses se alimentam da “amrita” produzida por Soma durante um mês, e o fazem para poder conservar sua imortalidade. Isso enfraquece muito o deus Soma seu corpo diminui aos poucos até que ele definha (as fases da lua). Então, Surya, o deus Sol aquece os oceanos, e as águas vão até Soma como vapor hidratante e então as suas forças são restituídas. E assim, ele volta a crescer e a produzir amrita um processo contínuo. Ele também é conhecido pelo nome de Chandra. É representado sentado numa flor de lótus sobre uma carruagem prateada que tem a forma de dois cornos, e é puxada por um antílope. O deus tem dois braços e com a mão esquerda abençoa enquanto a outra ergue um cetro, símbolo do seu poder


VARUNA – Inicialmente era considerado o regente da ordem cósmica. Seu olho único era o sol e sua respiração os ventos. Reza o mito que depois de uma batalha entre os deuses os vencedores definiram outra hierarquia e nova ordem de importância e regência, e a Varuna coube apenas os oceanos, o que não é pouco, pois corresponde a setenta por cento do planeta Terra. Ele é representado montado sobre o lombo de um monstro marinho chamado Mekara, metade uma mistura de peixe, tartaruga e antílope. Tem três ou quatro braços e seus atributos são a serpente significando a sinuosidade das águas do mar e o laço semelhante ao ANK egípcio simbolizando a trajetória do homem na busca de si mesmo.

VAYU- O deus dos ventos, é também chamado Vata, o purificador. Nos hinos védicos ele é descrito como infinitamente belo. Quando se locomove em sua carruagem celeste puxada com cem cavalos brancos faz muito ruído e vai limpando a atmosfera e renovando a vida permitindo que as semente se espalhem e as colheitas seja abundantes. Vayu tem como atributos  dois estandartes brancos.

YAMA – O Deus da morte foi em princípio o primeiro mortal. Foi morrendo que ele encontrou o mundo dos mortos, e desde então é quem guia todos os seres depois da morte para o seu reino invisível. Yama é também o deus que arbitra a morte, define dia, hora e maneira de cada ser vivo morrer. Nas ilustrações ele é representado com a pele verde e as vestes vermelhas. Está montado sobre um búfalo ou um touro preto, e tem dois braços e duas mãos. Com uma das mãos faz o mudra da ausência de medo e na outra carrega uma borduna simbolizando  a coragem e o destemor. 

VISHVAKARMA -  No panteão védico é o criador de todos os deuses e de todas armas, atributos e veículos usados por eles. Ele criou o universo e todas as coisas vivas, e por isso, cuida delas e as protege. Ele é o patrono dos artesãos, dos músicos e de todos os artistas. É representado sentado num trono e em volta do espaldar do seu assento estão representadas várias ferramentas e pincéis. Tem quatro braços e quatro mãos numa mão inferior carrega um livro simbolizando o conhecimento. Na numa outra carrega um jarro com água simbolizando as águas do oceano primordial, a água da vida Nas mãos superiores ele sustenta uma flauta simbolizando o som criador e um cetro símbolo do seu poder.


KUBERA -  Nos Vedas ele é citado como o senhor dos “yakshas” espíritos que guardam os tesouros terrestres. É o guardião dos Ponteiros do Compasso com o qual foi desenhado o mundo. É o deus da riqueza material da prosperidade e da abundância. Ele é representado sentado num trono ricamente decorado, coberto de jóias e trazendo uma coroa cravejada de pedras preciosas na cabeça.Tem dois braços e duas mãos e seus atributos são um mangusto, o animal imune ao veneno que simboliza a proteção contra a inveja, uma borduna, simbolizando a luta pela sobrevivência, uma romã, símbolo de abundância, um jarro d’água simbolizando a vida e um saco com moedas, a riqueza.



OS DEUSES PURÂNICOS

Os Puranas são narrativas sobre determinado deus ou deuses, incluindo seus complementos femininos, suas Shaktis. Falam também sobre a morada cósmica dos deuses, os chamados planetas superiores.
Narram seus ensinamentos, suas encarnações, suas manifestações, seus poderes e feitos, As narrativas também se referem a outros deuses que por ventura tenham feito parte das façanhas do deus enfocado. Dos Puranas constam os deuses e deusas anteriores à invasão ariana, embora o período védico também esteja representado com deuses de menor representatividade.

AS ENCARNAÇÕES DE VISHNU – OS AVATARES

Segundo as escrituras sagradas do hinduísmo, sempre que o planeta esteve ou estiver sofrendo etapas de transformações e ou sofrendo devido a ação das forças negativas e maléficas, Vishnu encarnou e encarnará na Terra. Essas encarnações são chamadas avatares. Algumas aconteceram e outras acontecerão em diferentes períodos e estágios da evolução planetária e humana.

MATSYA – O Homem-Peixe. Esta foi a primeira encarnação de Vishnu. Foi Matsya quem orientou Manu, o ancestral do gênero humano, na missão de proteger os animais e a humanidade, e preservá-los por ocasião de um grande dilúvio que inundaria a Terra. Matsya pediu que Manu construísse um grande barco e nele colocasse exemplares de animais e humanos. Quando o dilúvio aconteceu, Matsya conduziu o grande barco e salvou a vida no planeta. Ele é representado metade homem e metade peixe com quatro braços e mãos que sustentam as égides de Vishnu. Matsya protagoniza a versão indiana do dilúvio bíblico.

KURMA – O Homem-Tartaruga. Esta foi a segunda encarnação de Vishnu. Nos primórdios, deuses e seres demoníacos viviam batalhando constantemente, e em dado momento, os seres demoníacos tornaram-se tão poderosos que os deuses, sentindo que perderiam a batalha pelo enfraquecimento dos seus poderes, recorreram a Vishnu. O deus ordenou que os demais deuses batessem o oceano até que ele se solidificasse, de maneira que “amrita”, o alimento dos deuses, pudesse ser nele depositado para que os deuses se nutrissem e pudessem vencer a batalha. Para isso, Vishnu usou o monte Mandara como batedeira, e assumiu a forma de uma tartaruga cujo casco serviu de base para sustentar a montanha, evitando que ela soçobrasse. A seguir, Vishnu assume a forma de uma linda mulher cuja beleza encanta os demônios e a luxúria neles despertada os enfraquece, permitindo assim que os deuses fortalecidos saíssem vencedores. É representado metade homem e metade tartaruga, e tem nas mãos a maça símbolo da luta pela sobrevivência, o livro  símbolo do conhecimento, o búzio do som primordial e o disco girante simbolizando a energia que move a vida.

VARAHA -  A terceira encarnação de Vishnu tem a forma de um homem com cabeça de javali. Os mitos anteriores, esse e os demais que falam sobre as sucessivas encarnações de Vishnu, referem-se aos ciclos de evolução da vida no planeta. Varaha salva a deusa Prithivi, a Terra, quando ela foi raptada por um demônio e levada para as profundezas do oceano. O homem-javali mergulha no oceano, luta com o demônio e sai vencedor. Traz a deusa de volta e a torna outra vez capaz de abrigar a criação. Ele recria a natureza, e todas as criaturas vivas, também redesenha continentes e montanhas. Varaha é representado como um homem de pé com cabeça de javali, e suas grandes presas sustentam o planeta Terra, ele tem quatro braços e nas mãos carrega os atributos inerentes a Vishnu.

NARASIMHA- A quarta encarnação de Vishnu apresenta-se como metade homem e metade leão. Como vemo,s as formas do deus encarnado vão se tornando mais complexas a cada ciclo que se cumpre. Conta o mito que um homem chamado Hiranyakashipu desacatou Vishnu e foi condenado pelo deus a viver sua vida como um demônio. Apavorado,  recorreu a Brahma e dele recebeu uma graça. Brahma disse que ele estaria protegido e que não seria ferido nem morto por nenhum tipo de arma ou animal nem de dia nem de noite, ao ar livre ou em lugar fechado. Hiranyakashipu tornou-se tão vaidoso, pretensioso e prepotente que passou a perturbar os deuses. Vishnu decidiu intervir. Assumiu a forma de um homem com cabeça de leão (nem animal nem homem), ocultou-se atrás de uma pilastra do palácio onde morava o demônio Hiranyakashipu e o agarrou na hora do pôr do sol (nem dia nem noite) exatamente na soleira da porta (nem fora nem dentro) e o matou com suas afiadas garras (sem armas). Como vemos, ninguém foge dos desígnios e da ação da divindade.

VAMANA – A quinta encarnação de Vishnu inicia um ciclo de formas humanas. Conta o mito que Hiranyakashipu, o demônio, tinha um neto chamado Bali que tornou-se rei. Como rei ele era terrível, tão poderoso que conseguiu se apoderar dos três mundos, e banir os deuses das regiões celestiais. O povo rogou pela intervenção de Vishnu, o deus atendeu às preces e assumiu a forma de um anão. Pediu uma audiência ao rei, foi recebido e pediu que Bali lhe concedesse um terreno, cuja medida fosse apenas de três de suas passadas, para que nele pudesse sentar e meditar. O rei concordou debochando do pedido, então imediatamente o anão se transformou no gigante Trivikrama. Com uma passada o gigante cercou o céu, com a segunda, a Terra, e quando o rei viu que com a terceira passada o gigante cercaria o interior do planeta, rendeu-se. Bali percebeu que tinha sido derrotado por Vishnu. O deus então lançou-o no vazio para todo o sempre e assumiu o reinado. Vamana é representado como um anão de pé carregando um guarda-sol aberto numa das mãos e na outra uma jarro com água.

PARASHURAMA- É a sexta encarnação de Vishnu, e desta vez como um homem normal.  Reza o mito que numa época distante existiam constantes conflitos entre os brâmanes, os sacerdotes e os xátrias, os guerreiros, as duas castas mais altas da sociedade hinduísta. Parashurama acabou com essas desavenças. Por isso, ele é representado vestindo uma pele de tigre como um asceta e carrega as armas de um guerreiro. Seus cabelos estão penteados como os cabelos de um sacerdote e  no rosto ostenta  longas barbas e bigodes, ele carrega numa das mãos um machado (parashu) e na outra um arco e flechas.

RAMA- É a sétima encarnação de Vishnu, e o grande herói do épico Ramayana. A saga de Rama narrada no Ramayana traz ensinamentos filosóficos e éticos e revela de modo poético a história de deuses, seres demoníacos, homens e homens-macacos e naves espacias, os Vimanas.. O rapto de Sita, uma encarnação da deusa Lakshimi, é praticado por Ravana, um “asura” (ser demoníaco), que era o rei do Sri Lanka, e isso desencadeia uma batalha chefiada por Rama. Nessa batalha ele conta com a ajuda de seu irmão Lakshmana e de Hanuman, o homem-macaco. Hanuman, ao libertar Sita do domínio de Ravana, perde a cauda, que se incendeia, e dá um enorme salto, atravessando o mar de volta para a Índia. Uma alegoria que pode ser interpretada com um salto evolutivo. Rama derrota Ravana e quando de volta à floresta, agradece a Hanuman por este ter resgatado Sita, dizendo-lhe que como recompensa lhe daria qualquer coisa que pedisse. Hanuman responde que a maior recompensa seria poder estar sempre aos pés de Rama, seu senhor. Por esta razão, Hanuman é considerado o símbolo do devoto perfeito. Rama é o avatar que simboliza o Dharma, a Lei cósmica em forma humana.

KRISHNA- A oitava encarnação de Vishnu. Krisna vem à Terra para derrotar o rei demoníaco Kamsa no reino de Mathura. Krishna nasce do ventre da princesa Devaki, irmã de Kamsa e tem como pai o príncipe Vasudeva. Kamsa é avisado por um espírito que do ventre de Devaki nasceria aquele que o mataria e por isso aprisiona a irmã e o cunhado numa cela por anos e mata os filhos do casal assim que nascem. Quando nasce Krishna, Vishnu aparece na cela e diz para Vasudeva sair da cela e levar a criança para Nanda e Iashoda criarem. Vishnu liberta Vasudeva e este atravessa o rio e entrega o filho a Nanda, o chefe de um clã abastado que acolhe o menino e o cria como filho. O Bhagavata Purana narra com detalhes toda a vida de Krishna e seus milagres. Krishna significa pele escura, por isso é representado com a pele no tom azul escuro. No Mahabharata, a epopéia cósmica do homem sobre o planeta, está inserida a Bhagavad Gita, A Canção do Senhor que narra a batalha de Kurukshetra, e os ensinamentos universais de Krishna ao príncipe Arjuna. O príncipe do clã dos Pandavas, diante do avatar guerreiro, representa a humanidade. Krishna é adorado por milhões de pessoas na Índia e fora da Índia, e é representado como criança, como adolescente e como adulto. Como criança chama-se Bala-Krishna; como adolescente Venugopala, o pastor que apascenta o gado tocando sua flauta chamada Murali; e como adulto é o rei guerreiro que restaura o Dharma na Terra.

BUDA – O Buda, o Iluminado, é tido no hinduísmo como a nona encarnação de Vishnu. Diz o mito que Vishnu assumiu a forma do príncipe Sidharta para pôr fim aos desmandos dos sacerdotes brâmanes e purificar o hinduísmo das contaminações e desvios de princípios. Para isso, ele ensinou o caminho do meio e como os seres humanos podem se livrar da roda de “sansara”, a roda de nascimentos e mortes. É representado como um homem jovem e esbelto sentado sobre uma flor de lótus, com o rosto sereno e os olhos semi-abertos, em profunda meditação. Sua vestimenta é amarela e despojada, e não usa nenhum adorno.

KALKI -  Esta que será a décima encarnação de Vishnu, ainda não aconteceu. Segundo o Vishnu Purana, na presente era a humanidade será envolvida por energias trevosas. Os valores morais, éticos e espirituais serão ignorados, e a Terra conhecerá o desespero e a confusão generalizada. Então, será o momento de Vishnu voltar a encarnar no planeta. Na ocasião ele assumirá a forma de Kalki, o avatar. Kalki chegará brilhante com uma estrela, e trará a restauração do Dharma, dos princípios e valores humanos. Ele restabelecerá a lei e a justiça para salvar a raça humana e o planeta. Kalki é representado como um jovem ricamente vestido e adornado montando um cavalo branco e empunhando uma espada. 


MAHADEVI – A GRANDE DEUSA
A DEUSA E SEUS DIVERSOS ASPECTOS

O Princípio Feminino Cósmico é identificado como Devi (deusa) e Mahadevi é a Grande Deusa, a Mãe Divina. A deusa se apresenta sob os vários aspectos da manifestação do feminino. A potência feminina se revela como fonte e berço de todas as formas vivas, e por isso traz em si o poder de criação, manutenção e destruição da vida. A deusa é uma e é múltipla, embora tenha muitos nomes e formas. A Grande Mãe está presente em todos os seres, é o elo que nos liga à matéria, e ao mesmo tempo é através dela que nos libertamos dos apegos que nos prendem ao mundo.

KALI- A POTÊNCIA DO TEMPO

É o aspecto da Devi que representa o princípio de onde tudo surgiu e para onde tudo retorna. Kali é a deusa que permite a dissolução dos condicionamentos temporais, ela destrói o medo de viver a vida e da finitude, a morte. Mãe Kali oferece aos seres humanos, pela sua energia avassaladora, a liberdade de viver a plenitude do momento presente, e desse modo exercer a coragem, a autoconfiança e aceitação do poder pessoal. Ela é representada com os mesmos atributos de Shiva enquanto potência destruidora. É representada em geral destruindo demônios, que representam as forças maléficas externas, e os defeitos e más tendências internas de quem a invoca. Kali é invocada também como protetora contra influências nefastas das ações dos inimigos. Os fiéis costumam entoar mantras dedicados a Kali pedindo clemência diante das agruras e desafios da vida, assim como a superação do karma negativo. Ela é representada sempre em movimento, o corpo azul escuro ou preto adornado por crânios e serpentes, traz numa das mãos uma foice erguida. Kali é a deusa que rege os ciclos da vida de nascimentos e mortes.

DURGA 

É um dos mais venerados aspectos de Devi. É adorada como incorporação dos elementos da natureza, elementos estes que, unidos, criam e mantêm as formas de vida e para onde a vida manifestada retornará. Reza o mito que Durga, no início do Dia de Brahma, recebeu o dom de ser o elemento ativo, a Shakti do Absoluto Impessoal, o aspecto feminino da divindade. Ela é chamada a Inacessível, a Grande Mãe, ela é a primeira emanação feminina de Shiva. Durga é a deusa que nutre, protege e renova a natureza, os animais e as pessoas. Porém, ela é principalmente uma deusa guerreira, lutando constantemente para defender a Terra e a humanidade contra os demônios representados pela ignorância espiritual: egoísmo, despeito, ira, cobiça, inveja, despotismo, desrespeito, desonestidade e outros antivalores. Um dos mais importantes festivais devocionais da Índia é dedicado a Durga; esse festival se chama Navarathri, e tem a duração de nove dias e noites.

AMBA

Esse aspecto da deusa representa a Mãe do Mundo, e data do período pré-védico. Ela é representada como uma linda mulher de dorso nu coberto por jóias. Na cabeça tem uma coroa de pedras preciosas. Ela está sempre sentada em um coxim e tem dois braços e duas mãos. Numa das mãos ela segura uma flor de lótus e com a outra ampara um bebê, enquanto o amamenta. Amba é a deusa-nutriz; representa a maternidade como evento divino. Seus fiéis oram a ela rogando perdão pelos seus erros, pelo aconchego generoso do divino colo materno e pelo cuidado amoroso.

CHAMUNDI

É o aspecto da deusa que destrói a ignorância espiritual. Ela é a Shakti cuja energia elimina os maus instintos e os vícios. É representada montada numa coruja, um símbolo de vigilância, atenção e sabedoria. Algumas gravuras e estátuas mostram-na com quatro braços e outras com dez braços e mãos. Os seus atributos incluem uma lança, símbolo de luta e coragem, uma tijela em forma de crânio, representando a transitoriedade da vida, um escudo, uma espada e um machado, símbolos de transformação. Chamundi é uma deusa guerreira.

MAHESHWARI

É a deusa que liberta os seus fiéis  das garras da  ganância.É parceira de Shiva e como ele se manifesta como energia transformadora. É representada sentada sobre o dorso de um touro branco. Tem três olhos abertos simbolizando a visão transcendental, quatro braços e mãos, e seus atributos são a lança e o “japamala” (um tipo de terço, com 108 contas), a lança significa a batalha contra a ganância e a cobiça desmedida; o japamala simboliza a devoção e a disciplina mental.


INDRANI

É a deusa que combate a raiva, a ira. É um aspecto da Shakti associado a Indra. É representada montada sobre um elefante branco e traz na cabeça uma coroa, tem quatro braços e quatro mãos e nas mãos carrega uma lança, uma seta em forma de raio simbolizando o domínio sobre a ira, uma flor de lótus, e uma serpente simbolizando o estado de alerta necessário para não se deixar dominar pela raiva.




Ma Durga Kali Devi
   Pranam Mantra

OM – SARVA  MANGALA   MANGALYE
SHIVE   SARVARTHA   SADHIKE
SHARANYE   TRYAMBAKYE   GAURI
NARAYANI   NAMOSTUTE

SRISHTI  STHITI  VINĀSHĀNĀM
SHAKTIBHUTE  SANĀTANI
GUNĀSHRAYE  GUNĀMAYE  NĀRĀYANI NAMOSTUTE

SHARANĀGATA   DINĀRTA  
PARITRĀN  PARĀYANE
SARVASYĀRTI   HARE   DEVI 
NĀRĀYANI  NAMOSTUTE

KALI  KALI  MAHAKALI
KALIKE  PAP  HARINI
DHARMA  KAM  PRADEDEVI
NARAYANI  NAMOSTUTE

KALI  KALI  MAHAKALI
KALI  KE  PAP  HARINI
SARVA – VIGNA  HARE  DEVI
NARAYANI  NAMOSTUTE

JYANTI MANGALA KALI BHADRAKA
KALI   KAPALINI
DURGA  KSHAMA  SHIVA  DHATRI  SWAHA SWADHA   NAMOSTUTE

JAY  TWAM   DEVI   CHAMUNDE
JAY   BHUTATRI   HARINI
JAY   SARVA   GATE [devi]
KALARATRI    NAMOSTUTE

DURGUE  MA  TEKI   –  JAY
SRIMMAHA  KALI  MA  TEKI  – JAY


(OM! Ela é a mais auspiciosa entre todas.
A Causa de todo o sucesso. OH, Gauri de três olhos [a Brilhante], nós te reverenciamos! Oh Narayani! Oh, Divina Mãe!

Eu me curvo à Eterna Narayani, a divina manifestação da energia da criação, da preservação, da destruição. A essência que permeia as três gunas [Inércia, movimento e essência].

Aquele que sempre tem bons pensamentos para os outros, que tem uma mente pura, este é sempre abençoado. O Senhor é ao mesmo tempo o Criador e o Destruidor, assim ao que está pleno de virtude e deseja o bem aos outros, este é sempre abençoado. Ao que age com compaixão aos outros, este é sempre abençoado.

Nossa Reverência a Narayani! A Geradora, a Mantenedora e a Destruidora. O centro remoto de toda a energia, a base da natureza.

Eu te reverencio, Divina Narayani. Tu que a todo instante cuidas de aliviar os sofrimentos de todos os seres: dos pobres, dos desesperançados e de todos aqueles que em Ti se refugiam.

Oh, Grande Mãe Kali, Deusa Suprema, Mãe Graciosa, fonte da bem-aventurança, nós  reverenciamos a Ti, Divina Mãe do Universo.

Oh, Kali, a de divino nascimento! Oh, Bhadra kali!

Vitória à destruidora de nossos demônios!
Vitória à salvadora de todos os seres!
Vitoriosa sejas em toda parte.
Oh Mãe, negra como a noite,
Permita que eu me entregue a Ti, completamente.

DEUSA GAYATRI
A DOADORA DA LUZ  - A DEUSA DA VIDA

Desde as épocas mais remotas, a humanidade busca uma aproximação do divino, um desejo intenso de compreender a natureza do mundo, a razão de ser da vida e de estar vivo. O culto ao Princípio Feminino - a Deusa, como fonte da manifestação é dos mais antigos, e o encontramos na maioria das tradições espirituais do mundo. Para nós ocidentais a adoração à Virgem Maria e seus diferentes aspectos é um dos pilares da fé cristã. A Nossa Senhora e Virgem Mãe Divina, que engendrou um homem-deus sem a intervenção de um agente masculino, é um dos cultos mais importantes da cristandade. A Deusa que engendra de si mesma o seu fruto é uma constante em todas as mitologias do mundo. Na mitologia egípcia, Isis engendra Horus, na hindu Pavarthi engendra Ganesha, na grega, Hera engendra Hefaístos, etc... 
São múltiplos os aspectos de Deus-Mãe. Nas civilizações antigas como a sumeriana, a grego-romana, egípcia, hindu e celta, e em todo o mediterrâneo proto-histórico, e pré-helenico encontramos a presença da Deusa como um protótipo único, porém com diferentes formas e nomes. Na Índia, as pesquisas feitas em Mohenjo-Daro e em Harapa no vale do rio Indo, encontraram o culto à Grande Deusa - a Mãe Universal e seus diversos aspectos desde mais de seis mil anos. 
A deusa para os povos antigos era reconhecida como soberana nos céus, e na Terra como potência realizadora, é a Mãe do Mundo, e tem na Natureza sua vestimenta sagrada. Após a invasão ariana na Índia, a deusa foi subjugada pelos princípios patriarcais dos invasores. Porém, emergiu novamente e com força pelo tantrismo. Atualmente, o hinduísmo acredita que nos diferentes aspectos da deusa está a base, o movimento, a energia. A Shakti, o Princípio Feminino Cósmico, é a energia universal da materialização e realização. As Shaktis, as deusas, têm o poder de criar, preservar e transformar, destruir e trazer o novo e inusitado como elemento de evolução. 
A deusa Gayatri é adorada como a Mãe dos Vedas, ou “Veda Mata” e seu culto é anterior à compilação dos quatro Vedas. No Skanda Purana existe o seguinte texto: “Nada nos Vedas é superior à Gayatri Devi”. “Nenhuma invocação é igual à de Gayatri”. Gayatri é, como já disse, a Mãe dos Vedas, mas também é a Mãe dos próprios deuses, é a Grande Luz da Consciência Cósmica, é o ritmo que organiza as energias primordiais, o pulsar do coração do universo. No Rig Veda, a partir do volume III, cântico 62, verso nº 10, encontramos a história da deusa Gayatri. Ela teria vindo ao planeta Terra na Sathya Yuga ou, primeira era, que tem duração de 48.000 anos. A era de ouro, quando o Dharma ( Lei cósmica) os valores espirituais e éticos prevalecem devido as energias puras e sábias propiciadas pela deusa solar. Ainda no cântico 62 ela é descrita: “A suprema consciência cósmica e transcendental, o poder, a Mãe divina, é conhecida como Gayatri”. “Ela é a causa primordial de tudo que foi o que é, e o que será”. Gayatri é a deusa que cria e manifesta os três gunas: Tamas, Rajas e Satva, inércia, movimento e essência pura. Mãe Gayatri é considerada a mãe de Brahma, Vishnu e Shiva. Estes simbolizam o poder inerente dos três gunas. As emanações criadoras, mantenedoras e destruidoras de Brahman – “Aquele que se expande, o Inominável”. 
Em cada um dos Vedas a deusa Gayatri é descrita diferentemente. Isso porque ela é louvada de formas específicas nas etapas que marcam o dia que estamos vivendo, e o nascimento do próximo dia. Pela manhã, o mantra Gayatri evoca vibrações criativas. Ela é o ritmo, o pulsar do coração do Universo. Ao meio-dia, o mantra desloca energias e vibrações de preservação. O mantra no entardecer é entoado para fazer vibrar energias regenerativas. E finalmente o mantra entoado na madrugada, que louva o poder da Deusa como portadora da Luz. 
O Gayatri Mantra : 

“OM BHUR BHUVAH SWAHA TAT SAVITUR VARENYAM BARGO DEVASYA DHIMAHI DHIYO YONAH PRACHODAYAT”. 
Tradução direta resumida e aproximada: “Sagrados são os três planos de existência, físico, astral e causal, sobre a essência da divina Mãe e de Savitri o poder da infinita luz da consciência. Que ela ilumine nosso intelecto”. 
A maneira de entoar o mantra varia, mas a intensidade do seu poder é sempre a mesma. O Gayatri Mantra é considerado o mais poderoso de todos os mantras para os hindus. A Mãe Divina doadora de vida ilumina a consciência, abrilhanta o intelecto, e desperta a inteligência do coração nos seus filhos. Glória a Gayatri, Luz que nasce de si mesma, e cria e recria e materializa a vida nos múltiplos universos. “Na Gayatrah Paro Devi”, (não existe nenhum deus mais poderoso que Gayatri). 

A DEUSA LAKSHIMI

Na cosmologia hindu, Brahman (Aquele que se expande) é o idealizador do universo, dos mundos e de tudo que existe. Para realizar seu plano divino, Ele necessita de um poder executivo, uma energia. Essa energia chama-se shakti, que é, portanto, Sua potência de manifestação, Seu complemento executor. A Trimurthi (trindade) Brahma, Vishnu, Shiva, representa a energia criadora, mantenedora e transformadora de Brahman, Aquele que É, OM TAT SAT. Sem os seus respectivos complementos femininos, esses aspectos e extensões do Inominável, não são capazes de movimento nem ação. A shakti representa esse poder de materialização e movimentação. A força de coesão, a força centrípeta, que permite a organização da matéria manifestada e a mantém coesa é Vishnu, e seu complemento feminino, sua shakti é a deusa Lakshimi. A deusa é o receptáculo gerador da Vontade do deus, a potência que materializa, mantém e unifica a criação. A manifestação física de um mundo cuja natureza é energia exige dois polos. A substância material é a corrente energética que une esses dois pólos. A matéria é energia organizada no espaço-tempo e Vishnu-Lakshimi são os regentes e responsáveis pela dinâmica da vida manifestada. 
A deusa tem muitos aspectos. Como Lakshimi ela é o Princípio Feminino Sagrado que derrama sobre nós a beleza, a harmonia, a sensibilidade, a gentileza, o carinho, o acolhimento, a unidade, a superação dos opostos e o respeito pelas diferenças. Ela é a deusa da abundância e da prosperidade no sentido amplo da palavra. A deusa Lakshimi promove no coração dos seres humanos a descoberta do verdadeiro sentido de prosperidade, ela ensina a alegria de compartilhar, e ensina que prosperar não significa apenas acumular. A deusa nos ensina que a abundância e a prosperidade têm como fonte o amor, a responsabilidade, o serviço e a plenitude do ser. Ela mostra que o caminho para a abundância e a felicidade é o exercício consciente dos nossos talentos, do nosso poder pessoal, pela prática diária dos valores humanos visando a transmutação de defeitos e hábitos nocivos. 
A deusa orienta nossa mente para o Bem, a Beleza e a Verdade, e fortalece a fé e a confiança na Presença Divina que vibra e brilha em nosso coração. Mãe Lakshimi promove encontros onde haja desencontros, cria novas consonâncias onde haja dissonâncias, novas perspectivas onde haja acomodação, entusiasmo onde haja desânimo, harmonia onde haja tensões, e encantamento onde haja desencanto. Mãe Lakshimi é o poder ilimitado, inesgotável, que não pode ser contido, que está em toda parte e nunca deixará de existir. Cantar hinos e mantras invocando e louvando Seu Nome resulta num jorro de amor e bênçãos de generosidade, fartura e liberação da estreiteza mental, e da escassez limitadora tanto material quanto espiritual. 
O sânscrito, como todo idioma sagrado, contém sons harmônicos que ao serem entoados com a pronúncia correta e no ritmo adequados, acrescidos de amor e devoção, ressoam e reverberam na frequência energética do aspecto divino que está sendo invocado e louvado. Os hinos védicos reverberam nas oitavas e dimensões superiores do universo e estabelecem conexões espirituais sagradas. Que Mãe Lakshimi derrame sobre nós Seu doce e materno olhar, e nos acolha e proteja com Seu amor infinito concedendo, saúde, alegria e prosperidade hoje e sempre.
Mantra de Lakshimi:
OM NAMO MAHALAKSHIMIEY NAMAHAH!

A DEUSA PARVATI
Para falarmos sobre a Deusa Parvati - cujo nome em sânscrito significa “montanha”, a Senhora dos picos nevados do Himalaya – temos que nos remeter a Sati, a primeira shakti de Shiva. Parvati é considerada uma reencarnação de Sati a filha de Daksha rei e sacerdote ariano que não aceitava Shiva como deus e o excluiu do grande sacrifício do cavalo. Este era o mais importante de todos os sacrifícios védicos oferecidos pelos reis aos deuses. Desgostosa e indignada, Sati lança-se no fogo sacrificial e é incinerada. Anos depois ela reencarna como Parvati, a filha do Senhor do Himalaya, o deus Himavat. O sofrimento de Shiva foi tamanho pela morte de Sati, que de tanta dor isolou-se tendo permanecido por muito tempo imerso em profunda e silenciosa meditação. O deus Kama o desperta e isso o enraivece profundamente, e quando Shiva lança o olhar fulminante do seu terceiro olho sobre o deus do desejo, este é reduzido a cinzas. Embora Kama tenha perdido desse modo uma de suas vidas, foi ressuscitado por Shiva posteriormente por intervenção de Parvati. Depois de desperto, Shiva, o residente do monte Kailasa, caminha com seu exército de elementais pelo Himalaya, e é visto por Parvati, que se enamora perdidamente dele. Para obter o amor de Shiva, Parvati teve de seguir o caminho da austeridade, da mais restrita disciplina e da virtude absoluta. Após anos de sacrifício, a deusa consegue que Shiva se case com ela. Durante a cerimônia do casamento Parvati exigiu que Shiva executasse o “sapta padi”, os sete passos no sentido norte, acompanhados de sete oblações em prol da felicidade do casal tanto na dor quanto na alegria. Durante o ritual do matrimônio o casal troca jóias simbólicas e guirlandas de flores, e dão a volta em torno de um altar central onde arde o fogo sagrado, o “agni-homa”. Devido a essa exigência da deusa, na Índia assim se celebram os casamentos, e em março ou abril dependendo da fase lunar, é celebrado o “Gangaur”, um ritual oferecido visando a felicidade dos casais. Nessas ocasiões, as mulheres oferecem flores e frutos à deusa e cantam mantras a ela dedicados. 
A deusa Parvati é a protetora dos casamentos, da família, do amor, da fidelidade, da pureza e da fertilidade.  A origem da palavra família “parivar” é Parvati a deusa da virtude, da disciplina, e aceitação e rendição à divindade. Ela é a Shakti bondosa, terna e acolhedora que cuida de todos os seus filhos com infinito e incondicional amor maternal. Ela é quem os protege, inspira e guia pelos caminhos intrincados da lei do carma. Na sua representação, quer esteja sozinha ou acompanhada de Shiva, ou de Ganesha (seu filho autoengendrado, fruto de sua própria substância sem intervenção de Shiva), o semblante da deusa é sempre sereno, e expressa prazer, alegria, amorosidade e doçura.
Parvati é representada com lindas vestes e jóias, de pé ou sentada sobre um lótus aberto, e pode apresentar dois ou quatro braços com duas ou quatro mãos respectivamente. Na mão direita porta um japamala símbolo de “tapasia”, ascese e disciplina. Na mão esquerda porta um espelho, símbolo da busca interior pelo autoconhecimento, e a ascensão espiritual. Caso seja representada com quatro braços, a mão direita superior exibe o “abaya mudra” o gesto de proteção, ausência de medo. A mão esquerda superior exibe o mudra da bondade. Na mão direita inferior carrega uma lança ou dardo como símbolo da retidão e disciplina espiritual. Finalmente na mão esquerda inferior exibe um cinzel, símbolo do burilamento das arestas do temperamento e do caráter. 

A DEUSA SARASWATI
  A história da deusa Saraswati pode ser encontrada no Rig Veda, no Ishavasya Upanishad Matsya Purana, Skanda Purana, Padma Purana, varaha Purana e outros escritos do mesmo valor. Esses textos ensinam que Saraswati é a extensão feminina de Brahma e seu nome significa literalmente “a fluente”, ou seja, aquela que flui, que circula, que brota e se derrama. Saraswati é a criadora do alfabeto “devanagari”, a linguagem dos deuses. Ela é patrona das 64 artes e das ciências sagradas, assim como de todo o saber e conhecimento. Ela empresta seu nome a um dos rios sagrados da Índia, o rio subterrâneo Saraswati, que nasce no Himalaya e desemboca no Rajastão. Seu nome indica também um dos principais “nadis” ou canais energéticos existentes nos corpos sutis dos seres vivos. Esse aspecto da Deusa também é conhecido como Vach, o som sagrado, a voz do conhecimento real, a sabedoria nascida do fogo divino, a essência da consciência que destrói a ignorância. 
Reza um dos mitos que Saraswati e Brahma viveram na Terra no Himalaya, junto com outras deidades. Depois a deusa se deslocou para o deserto de Thar em Pushkar, no Rajastão e continuou peregrinando pelas florestas que existiam antigamente na Índia e hoje estão bastante devastadas.  No plano superior, espiritual, sua morada é Bramhaloka, o planeta de Brahma, um dos mundos celestiais. Seu veículo animal é um cisne branco (“hansa”). Com ele ela se locomove pelos espaços siderais.

NAVARATHRI – As nove noites de DURGA
FESTIVAL EM LOUVOR DO PRINCÍPIO FEMININO CÓSMICO

 A Deusa Durga, para o Sanathana Dharma, (Eterna Lei) assim como para o hinduísmo atual, é o Principio Feminino Primordial. A energia matricial, A Mãe Divina. O aparecimento da Deusa Durga é o aparecimento de Prakriti – a Natureza, Sua Forma é a Shakti (Energia Feminina Cósmica), a Mãe do Universo, a Potência Geradora. Todos os organismos existentes no Universo surgiram da Mãe Divina, e daí Ela ser chamada “Jagadamba (a Mãe do Universo ou Criação)”. 
Durga é um dos aspectos femininos do Senhor Shiva. A deusa é a potência que organiza o caos e define possibilidades. Seu poder manifesta a diversidade da vida no universo, e a natureza é a sua roupagem externa na manifestação material. É a força que gera e concretiza a Vontade de Deus Pai como Criador, Mantenedor e Transformador. A Mãe Divina se apresenta de diferentes formas e tudo que existe são formas pelas quais a vida se expressa, pulsa e vibra. A Deusa Mãe Durga também é conhecida por outros nomes como: Parvathi, Kali, Sati, Uma, Amba, Gauri, Maheshiwari, etc., mas apesar de ter tantos nomes Ela é única na sua essência, atuação, manifestação, e poder.
Durga é uma Deusa multidimensional cujo poder abrange muitos mundos, tem muitos nomes, muitas personalidades, aspectos, arquétipos e ações multifacetadas.  Como Mahishasura, Ela é destruidora do mal; como Sati Ela é fidelidade e renúncia. Por amor, respeito e solidariedade a Shiva (a energia transformadora), ela tudo enfrenta. Como Sati, por amor solidário a seu esposo divino deixou o seu corpo ser consumido pelas chamas na pira ardente, porque não suportou ver Shiva, seu amado, ser destratado durante um ritual onde todos os deuses foram convocados, exceto ele. Ela enfrenta seu pai Daksha, que promovia o grande sacrifício do cavalo branco, sacrifício védico restrito aos reis. Daksha derrama sua ira ariana sobre os shivaistas dravídicos, e a morte de Sati desencadeia a revolta destruidora de Shiva, conforme é narrado no Bagawatam, (escritura sagrada hindu). Essa narrativa nos ensina que o caminho da deusa é a entrega ilimitada e irrestrita ao divino. 
Como Kali, Ela se apresenta negra como a escuridão da noite, é o humos da terra fértil, e é onipotente, justiceira, guerreira temível, força avassaladora contra o mal e as iniqüidades dentro e fora de nós. Kali é a potência do Feminino que elimina demônios internos e externos. Mãe Kali dança freneticamente nos infinitos azuis e tem como única vestimenta uma guirlanda feita de caveiras, exemplificando que a vida é movimento cíclico, e que tudo é transitório e perecível na existência material. Kali expõe a Verdade e destrói falsos pudores, preconceitos, e padrões impostos pelos falsos valores e desejos que criam necessidades artificiais.  Como Parvati, Ela é doce e serena, compreensiva, é a potência acolhedora e compassiva, a fiel, amorosa e inseparável consorte do Senhor Shiva. Pavarti permanece sempre ao lado esquerdo d’Ele nos picos brancos e congelados do Monte Kailash no Himalaya, agindo como complemento incondicional do Seu poder.  Ela também é Amba (Mãe Protetora), Jagaddhatri (Sustentadora do Universo), Tara (Estrela Refulgente que guia os caminhos dos seres humanos em direção a Luz), Ambika (Mãe Carinhosa que perdoa e indica caminhos e soluções), Annapurna (Doadora de Alimento, Nutriz do corpo e da alma). Todas são representadas como mulheres belas, ricamente vestidas e adornadas com jóias em profusão, representando beleza, harmonia, acolhimento, doçura, fartura, prosperidade e generosidade.

 OS TRÊS PRINCIPAIS ASPECTOS DA SHAKTI

A Deusa Mãe Durga representa o poder de ação do Ser Supremo (O Poder Cósmico) que destrói enganos, revela a verdade, inspira a espiritualidade, estabelece a ética e preserva a moralidade. Ela permeia a retidão de propósitos na criação. Seu poder faz com que todos os reinos da natureza cumpram seu dharma, a função para a qual foram criados.
A deusa liberta de karmas (ações) negativos, os frutos da ignorância espiritual, todos aqueles que se propõem honestamente a superar seus defeitos, erros e limitações.  Durga também é considerada a expressão máxima da Mãe Divina.  Protege a humanidade do mal, da miséria e das doenças, destruindo energias negativas (forças maléficas) como egoísmo, orgulho, ciúmes, intolerância, inveja, mentira, ódio, preconceitos, dissimulação, manipulações, disputa e outras manifestações inferiores do ego personalidade.  
A adoração à Deusa Durga é muito popular entre os hindus. A Divina Mãe é um dos principais pilares de sustentação da fé hinduísta. 
Existem muitos templos dedicados  à adoração da Deusa Durga e a todos os demais aspectos da Divina Mãe, inclusive Bharata, a Mãe Índia, cujo templo está Benares, e é venerada como terra sagrada, morada de homens-deuses. 
EM SUMA:
Lakshmi é também um dos mais adorados aspectos da Mãe Divina, é a expressão da beleza, da doçura, da harmonia, da criatividade, enfim, do esplendor do feminino. É a Mãe protetora e fiel consorte de Vishnu, a energia mantenedora da vida. Lakshimi é a provedora da harmonia no lar e na vida, da beleza, física e espiritual, saúde e prosperidade, promove abundância de realizações materiais e espirituais, é a responsável pela manutenção do sonho de Vishinu, a Maya que resulta na manifestação concreta da vida no planeta. Enquanto Vishnu dorme e sonha ela acaricia seus pés para que ele não desperte do seu sonho e não aconteça a destruição da criação. É representada como uma linda mulher coberta de jóias, sentada ou de pé sob um lótus aberto; ricamente vestida de vermelho e dourado, e vertendo moedas de ouro pelas mãos. Ganesha, o discernimento, a inteligência cósmica, a Força que elimina os obstáculos internos e externos está sempre com Ela. Saraswati ou Vach é o Verbo, o Som criador. É a consorte de Brahma e o aspecto da Shakti (O Princípio Feminino Cósmico) que elimina a ignorância e concede brilho a inteligência, aprimora a intuição, e é a patrona das artes e da ciência, promove sabedoria, é a senhora do conhecimento intelectual e espiritual. Saraswati é o aspecto da Shakti, (energia feminina), que concede revelações. É representada como uma linda mulher, vestida de branco e dourado, adornada com jóias, e sentada num cisne branco, está sempre tocando a “vina”, um instrumento de cordas que emite o som do OM, o Som Primordial, o Pranava, aquele que é eternamente louvado e renovado. Cada um desses aspectos da Deusa é adorado durante o festival a ela dedicado por três dias totalizando nove noites, NAVARATHRI. O décimo dia é o Dia da Vitória. O dia de Ação de Graças e glorificação ao poder da Divina Mãe.
Nas Suas estátuas e imagens impressas em gravuras, a Deusa Durga é representada simbolicamente como uma belíssima mulher, adornada com jóias magníficas e vestida com roupas de seda vermelhas e bordadas de dourado, resplandecendo de beleza e emanando poder.  Ela possui dezoito braços carregando vários objetos nas mãos. (Para cada objeto que Ela carrega nas mãos existe um significado simbólico específico, que enfatiza seus poderes). Nas suas representações, Durga carrega as égides de Shiva, evidenciando ser sua extensão feminina. A cor vermelha simboliza ação, e as roupas vermelhas significam que Ela está sempre em movimento destruindo as forças do mal, e protegendo a natureza e a humanidade de dores e sofrimentos causados pela influência da ignorância que contamina a alma e resulta em atuações malignas.  Mãe Durga é iluminada e reluzente como a Lua, monta o leão ou o tigre, seu veículo animal, (significando domínio sobre o ego inferior e as emoções instintivas, poderosas e selvagens). Carrega em suas mãos várias armas, significando Sua prontidão de guerreira para destruir o mal a qualquer momento, e possui o brilho intenso do fogo divino destruidor e transformador. Mãe Durga tem o poder de mostrar onde a divindade interna se oculta e propiciar o encontro da alma com sua origem cósmico-estelar.
MANTRA DE DURGA:
Jay Durga Jay Jay!Jay Lakshimi Jay! Jay Sarasvati! Jay Parvati! (Vitoria à Divina Mãe!) 



PERIODO ÉPICO

HERÓIS E SEMIDEUSES



Com o decorrer do tempo os povos indo-arianos que eram nômades foram se sedentarizando. Eles se fixaram no norte da Índia e começaram a construir cidades. Foi quando as diferentes culturas locais começaram a se misturar com os arianos. Os conceitos de Brahman e do Atman, como o Princípio Todo Imanente, e a essência divina presente em toda a criação se expandiu. As Upanishads divulgaram a doutrina do vedanta, a filosofia monista denominada “adwaita” defendida pelo filosofo e asceta Shankaracharya, a visão não-dualista da existência. Nesse período também apareceram os conceitos de carma, reencarnação e autorrealização. 
No extremo norte da Índia, atual Nepal, o príncipe Sidharta Gautama vivia sua experiência de autoconhecimento. Experimentando os extremos descobre o caminho do meio, na busca da libertação da contínua roda de “sansara”, o ciclo de nascimentos e mortes. Sua busca resulta no Budismo. Os ensinamentos do Buda influenciaram o desenvolvimento do Hinduísmo. 
Nos séculos seguintes, dois grandes poemas épicos foram escritos, o Ramayana e o Mahabharata, essas escrituras narram fatos históricos, apresentam pensamentos filosóficos, retratam a organização das castas sociais vigente na época, as leis, os rituais mágicos e ensinamentos espirituais. As duas escrituras trazem relatos épicos e heróicos sobre reis, suas esposas, seus filhos, seus clãs; e descrevem as batalhas travadas entre os que defendiam o Dharma, a Lei Cósmica Eterna, e aqueles que afastados do Dharma, pretendiam dominar o planeta. Os heróis nessas narrativas têm sempre a ajuda de deuses, e são também desafiados por esses deuses, que por sua vez lhes confiam tarefas extraordinárias como maneira de transmitir seus ensinamentos. Alguns heróis por sua bravura e pureza de espírito tornaram-se semideuses. Nesses dois poemas épicos, historia, filosofia, mitologia e espiritualidade se interligam e apresentam uma integração do conhecimento sem paralelo na literatura mundial.

O MAHABHARATA


O Mahabharata (A Grande Bharata, antigo nome da Índia), foi escrita pelo sábio Vyasa, e narra as aventuras do clã dos Kurus. Seus protagonistas são duas facções que entram em desacordo devido a diferenças de valores e princípios. Os Kurus se dividiram e entraram em guerra. De um lado os Pandavas, filhos de Pandu, que defendiam o Dharma, e de outro os Kauravas, os filhos de Dritarashtha, que visavam não apenas o trono, mas, o domínio do mundo, e por isso eram contrários ao Dharma. Nessa ocasião, Vishnu assume pela oitava vez a forma humana, Krishna avatar. Sob sua orientação e proteção a batalha de Kurukshetra (o campo dos kurus) é vencida pelos Pandavas. O mais velho dos Pandavas, chamado Yushistira, é então coroado rei do mundo por Krishna, tendo como missão fazer o Dharma vigorar na Terra. 
A Bagavad Gita (A Canção do Senhor) está inserida no grande épico. Trata-se do diálogo entre o príncipe Arjuna, um dos cinco Pandavas, com Krishna na véspera da batalha. O príncipe inquieto e cheio de dúvidas tem uma crise de consciência e titubeia diante da iminência da batalha. Krishna então dialoga com ele, dando-lhe lições de valores morais, éticos e espirituais, valores estes que são os fundamentos do hinduísmo moderno. O príncipe, induzido por Krishna, mergulha no seu interior, e depois de profunda auto-análise emerge renascido de si mesmo disposto a batalhar pelo Dharma. A Bagavad Gita é a mais conhecida das escrituras sagradas da Índia. É considerada, juntamente com o Tao Te King de Lao Tzé e o Sermão da Montanha de Jesus um dos mais belos textos produzidos pela humanidade.
  
OS PANDAVAS

Os Pandavas são heróis e semideuses do hinduísmo. Yushthira, Bhima, Arjuna, Nakula e Sahadeva são os cinco filhos de Pandu e da Rainha Kunti. Como o rei era estéril eles foram concebidos através de mantras entoados por Kunti. A rainha quando jovem recebeu de um “rishi”, um sábio capaz de falar com os deuses, o dom de invocar através de sons mântricos a presença de qualquer um dos deuses. Seus filhos foram frutos dos sons sagrados por ela emitidos, o poder desses mantras permitiu que houvesse a conjunção de Kunti com a energia do deus por ela invocado.
OS SEMIDEUSES NO MAHABHARATA

Yudishthira –  O filho do Dharma.
Bhima- Filho de Vayu. O deus dos ventos.
Arjuna – Filho de Indra, o deus das hostes celestiais, o maior de todos os semideuses.
Nakula e Sahadeva são filhos de Madri, a segunda esposa de Pandu, e nascem também de um mantra que Kunti entoa a pedido da amiga.
São os gêmeos vindos da constelação do mesmo nome.

Bishma – O maior de todos os guerreiros que por seu caráter e pureza de espírito obteve dos deuses a graça de escolher o dia, a hora e a maneira de morrer, tendo sido assistido e conduzido por Krishna durante sua passagem para a dimensão superior.

Existem templos a eles dedicados, o mais antigo e também o mais belo se encontra na cidade de Mahabalipuram. Uma cidade onde a maioria dos moradores são escultores, pintores e tecelões por isso é conhecida como a cidade dos artistas.  
O RAMAYANA


Historicamente o Ramayana narra a trajetória do povo ariano à medida que se desenvolvia e se tornava uma nação bem organizada, bem armada com exércitos e estrategistas militares competentes que conquistavam feudos e povoados expandindo-se na direção do  o sul da Índia.  Do ponto de vista mítico, é uma história de heroísmo, retidão, fidelidade, obediência, renúncia e solidariedade. É também uma história de amor devotado. 
Vishnu decide pela sétima vez assumir forma humana, e para isso escolhe nascer como Rama, filho de Dasharatha, o rei de Ayodia. O rei queria que seu filho muito amado fosse o regente, mas, uma de suas esposas conspirou e conseguiu que o rei banisse Rama do reino, e exigiu que o rei desse a regência ao filho dela. Rama parte para o exílio com Sita sua esposa, e um meio-irmão chamado Lakshmana. Na floresta um “rishi” se encarrega de ensinar aos jovens a sabedoria eterna, o Sanathana Dharma, e as estratégias e obrigações que um rei e guerreiro  precisava conhecer. Certo dia o rei demoníaco Ravana, da ilha de Lanka (Sri Lanka) que tinha poderes mágicos, e grande conhecimento intelectual, mas não tinha caráter nem pureza de espírito, viu Sita, e a desejou para si imediatamente. Para obter a satisfação do seu desejo concebeu um plano e a raptou. Ravana levou Sita consigo para o Sri Lanka. Rama e Lkshmana quando voltaram da caça perceberam o ocorrido e foram ao encalço de Ravana. No caminho encontraram Sugriva, o rei dos macacos, e este quando soube do ocorrido pede a seu filho Hanuman que chefie  o exercito de macacos, e ajude Rama a libertar sua esposa Sita. Rama usa seu poder divino e desloca milagrosamente muitas pedras de uma pedreira, e pede aos macacos que construam uma ponte feita de pedras flutuantes. A ponte flutuante ligava o continente a ilha de Lanka, onde travou-se uma batalha terrível entre Ravana, e Rama, Lakshmana e os exércitos de macacos comandados por Hanuman, e o exército de gigantes demoníacos do rei de Lanka. No Ramayana as batalhas aéreas travadas pelos heróis dentro de naves espaciais chamadas Vimanas impressionam por narrarem a atuação de veículos aéreos e da utilização de armas chamadas “astras” que são descritas como foguetes de enorme poder destrutivo. Sob o ponto de vista espiritual, Rama é a fonte dos valores humanos e espirituais, e Ravana, o exemplo do poder destruidor de um intelecto sem ética e de poderes mágicos sem pureza de intenções. Como Ravana não vivia valores éticos e espirituais, não conhecia limites para seus desejos e terminou como vitima de sua própria ignorância espiritual, sua cobiça, inveja e luxúria desmedidas. 

Lakshmana, Rama, Sita e Hanuman
Hanuman é um semideus muito adorado em toda a Índia, simboliza o homem dotado de natureza, animal, humana e divina. 
Ele representa a supremacia do humano sobre a natureza animal e do espírito sobre a matéria pela entrega do corpo e da mente a serviço da vida e da divindade. Lakshmana representa a solidariedade fraterna e o amor incondicional, e também a fé e a confiança nos desígnios divinos. Sita é a entrega e a fidelidade amorosa, e sendo Rama o avatar, e ela uma encarnação da deusa, e a deusa uma expressão da Mãe Terra, o resgate de Sita é o resgate do planeta. Quando Hanuman dá o salto saindo de Lanka de volta à Índia carregando Sita nos braços e se humaniza perdendo a cauda, vemos a representação do salto quântico, o salto de qualidade concedido na ocasião por Rama, o avatar, a toda a humanidade.



CICLO CÓSMICO 
IDADE DO UNIVERSO E DIVISÕES DO TEMPO

 Segundo a mitologia hindu, o universo nasce da vontade de Brahman e se desenvolve em ciclos que obedecem a determinados ritmos. O universo é criado, expande-se, é destruído e recriado de acordo com esses ciclos. Um dia da vida de Brahma, a expressão da criatividade de Brahman, tem a duração de 4.320.000.000 de anos terrenos, mais esse mesmo tempo para a noite, multiplicado por 30 (o número de dias de cada mês), multiplicado por 12 (os meses do ano) e multiplicado por 100 anos. As divisões das unidades de tempo dos homens são diferentes das unidades dos deuses. Um dia divino corresponde a 360 dias humanos tendo como base o círculo de 360 graus. Cada grau corresponde a um dia e o ciclo completo da Terra em torno do sol é um dia divino. Um ano divino é igual a 360 anos terrenos.

É fascinante imaginar que faz mais de três mil anos que esse povo se valeu da matemática para conceber um começo e um fim para o universo. Mais fascinante ainda é ver que a mesma matemática permitiu que físicos quânticos teóricos criassem a teoria das cordas e especulassem baseados nela sobre a  possibilidade da existência dos multiversos. Caso essa teoria se confirme, seria tão importante quanto o foi a teoria de Copérnico. A alegoria mitológica hindu sobre o nascimento do universo vem, pouco a pouco, tornando-se uma realidade científica. A idéia do universo autoconsciente, da sua expansão inflacionária e dissolução para o surgimento de outro ou outros universos concomitantes e paralelos, hoje desenvolvida pela física quântica, aproxima-se muito do mito hindu da criação. A ciência e a espiritualidade estabelecem um diálogo revolucionário e criativo, e a física das possibilidades, que defende o primado da consciência, oferece-nos a abertura de portais de percepção mais abrangentes e descobertas transformadoras..

KALPAS - São os ciclos do tempo. Cada ciclo de tempo de 4.320.000.000 de anos terrenos é igual a um dia da vida cíclica de Brahma e é chamado Kalpa. Terminado um Kalpa, o universo é destruído. Essa destruição chama-se Pralaya, é quando Brahma absorve de volta para si toda a sua criação e os universos e os mundos voltam à sua origem. A passagem de tempo entre os consecutivos Pralayas, a existência de um universo e um Kalpa são constituídos de Manvantaras. Cada Kalpa tem 14 manvantaras e cada manvantara é regido por um Manu. É denominado Manu um ser iluminado que é escolhido pela divindade para reger um manvantara. Cabe a ele criar uma ordem, justiça, princípios, ética, valores e normas de conduta. Esse mesmo Manu reencarna a cada início de um novo manvantara. O Código de Manu, assim como o Código de Hamurabi, o rei sumeriano, são conhecidos como os mais antigos compêndios de normas morais e éticas.

YUGAS – Existem as eras, “yugas”, que compõem as dimensões menores da Grande Era – A Mahayuga. As “yugas” são quatro e são denominadas: Sathya, Treta, Duapara e Kali.

SATHYA YUGA – É chamada a era de ouro. Nessa era vigora a prática do Dharma e a humanidade vive em perfeita harmonia com os princípios e desígnios divinos. A Sathya Yuga compreende 4.800 anos divinos, ou seja, 1.728.000 anos terrenos. Nessa era existe a prevalência da verdade (Sathya em sânscrito), e a procriação acontece apenas pela energia emitida pela da intenção de criar um novo ser humano.

TRETA YUGA – É chamada a era de prata. A prática do Dharma diminui cerca de 25%, e a procriação se faz pelo toque, o contato físico. Nessa era Vishnu assumiu a forma humana como o avatar Rama para salvar o planeta e a parte dhármica da humanidade..

DUAPARA YUGA – É chamada a era de bronze. Nessa era o Dharma diminui 50% em relação à Treta Yuga. Sua duração é de 2.400 anos divinos, ou seja, 864 mil anos terrenos. A procriação se dá através de intercursos carnais. Na Duapara Yuga que antecedeu a atual Kali Yuga, Krishna avatar nasce para ajudar a Terra, separar os bons dos maus, e reconduzir a humanidade pelo caminho do Dharma. Quando Krishna morreu teve início a Kali Yuga.

KALI YUGA – é chamada a  idade do ferro. A prática do Dharma cai para cerca de 25% a menos do que na Duapara Yuga, persiste apenas um terço do Dharma. A duração da Kali Yuga é de 1.200 anos divinos, o que corresponde a 432.000 anos terrenos. Essa era se caracteriza pela irreverência, decadência dos valores humanos e espirituais, pela falta de caráter das pessoas, desonestidade e falta de espírito público, e o desrespeito às leis nas sociedades. O mundo nessa era é governado por lideranças corruptas e os conflitos entre os povos são constantes. O abandono de crianças e idosos e a degradação das mulheres acontece assim como a desagregação das famílias. Nas relações humanas a traição é comum. Nessa era, os 25% de praticantes do Dharma, homens e mulheres que buscam o aprimoramento do caráter, e a elevação espiritual, colocam-se a serviço dos semelhantes e oram pedindo aos deuses que intervenham para suavizar o sofrimento da humanidade e do planeta.



OUTROS DEUSES E DEIVINDADES POPULARES
No panteão hindu existe uma infinidade de deuses, deusas e animais divinizados. Isto acontece porque a população procura nesses arquétipos expressar diferentes maneiras de sentir uma maior intimidade com o sagrado. Alguns desses deuses protegem e determinam a saúde, o casamento e o êxito nas atividades produtivas de uma comunidade. Outros são adorados como fonte de sabedoria, patronos locais, etc. Esses aspectos do divino são muito importantes para os pastores e trabalhadores rurais. Templos dedicados a esses deuses se espalham por todo o interior da Índia. Os templos são referencias de identidade cultural e espiritual das aldeias que se estruturam com base na agricultura.
  
SERES E OBJETOS SAGRADOS NASCIDOS DO SAMUDRA MANTHAN
SAMUDRA MANTHAN – O ato de agitar o oceano primordial, para a extração do alimento dos deuses - a amrita, equivalente à ambrosia da mitologia grega. Nessa ocasião surgem vários seres sagrados. Shiva, para livrar a Terra e a humanidade do efeito daninho da ação dos demônios que impediam a evolução da humanidade e do planeta, ingere o veneno da ignorância.

AIRAWAT – É considerado o rei dos elefantes. Esse elefante branco com três trombas que simbolizam o seu poder nos três mundos (a superfície, o subsolo e o céu), é o veículo animal do deus védico Indra. No panteão védico, Indra é considerado o rei de Amaravati, o Paraíso Celeste.

SURABHI – a vaca divinizada, conhecida também como Kamadhenu - a vaca celestial provedora da abundância. Diz o mito que Brahma, quando criou os Vedas, ensinou que os versos deveriam ser recitados e cantados pelos brahmanis, os sacerdotes, e disse também que Kamadehnu cederia o seu leite para dele ser extraída a manteiga clarificada, “ghee”. Essa manteiga líquida e dourada banha as imagens e também é lançada no fogo sacrificial durante as cerimônias de adoração. A vaca é sagrada para os hindus com o nome de Gaumata – a vaca mãe.

VARUNI – a deusa que rege as plantações de uvas é também a conhecida como a deusa do vinho.

PARIJAAT – a árvore celestial. A árvore da vida e do conhecimento que se enraíza nos céus. Idrani, a deusa consorte de Indra,  transplantou-a em Amaravati. O Paraíso.

RAMBHA – É uma das apsaras, as dançarinas celestiais. As apsaras são bailarinas celestiais que com sua dança movimentam as emoções e transmutam as energias desarmônicas em harmônicas.

CHANDRA – A meia-lua que adorna os cabelos de Shiva. Essa é a forma da lua que é mais auspiciosa para a disciplina da mente.

KASTURBHA – É conhecida e venerada como a pedra preciosa dotada de todos os poderes. Essa pedra sagrada reluz pendurada em um cordão de ouro enfeitando o torso nu de Krishna. Ela realiza desejos e provê felicidade.

PANCHJANYA – A grande concha (shankh) que Vishnu carrega em uma de suas mãos. Quando um herói ou deus sopra essa concha é um chamamento para o exercício do Dharma, a Lei Cósmica Eterna. O som que vibra, reverbera se expande e aglutina moléculas como criador das múltiplas formas de vida.

SARANGA – O arco sagrado de Vishnu. Simboliza o poder e a força da vontade que impulsiona e encaminha a intenção. A intenção atingirá o seu alvo quando for correta e meritória, e por isso destinada ao êxito.

KAUMODAKI – a clava (gada), de Vishnu, simboliza o poder da sagrada disposição de lutar pela preservação da vida, do equilíbrio da natureza, e da eterna batalha pelo Dharma a vencer as iniqüidades.
  
OUTROS DEUSES POPULARES DE REGÊNCIA ESPECÍFICA
  
DHANVANTARI – O criador da medicina Ayurveda, a ciência médica indiana ancestral. Ele é chamado o médico dos deuses. Rege a saúde física, mental-emocional e espiritual. É representado de pé com quatro braços e carrega em uma de suas mãos uma vasilha com todos os medicamentos para todas as curas e na outra um pote de amrita, o alimento dos imortais.

CHANDRAGUPT - Ele é o guardião dos registros akáshicos. Onde estão registradas as ações que resultam no carma positivo ou negativo de toda a humanidade. Ele determina, de acordo com a qualidade desses registros, a dimensão para onde o espírito de cada indivíduo se dirigirá após a morte.

BRASHPATI – É o Logos, o regente divino do planeta Júpiter. É venerado como o conselheiro dos deuses e o mais sábio dentre os Logos planetários.

ANNAPURNA DEVI – Essa deusa é um aspecto de Parvati. Ela se apresenta como nutriz, e provedora de alimentos. Interessante salientar que nos templos a ela dedicados, o altar tem além da estatua dela, as estátuas de Shiva e de Parvati. Ela é a encarnação de Parvati que escolheu servir a Shiva plenamente. O deus ficou tão encantado com a atitude de entrega da deusa, que a abraçou fortemente contra o próprio corpo. Nesse abraço os seus corpos se fundiram, e assim, dessa junção perfeita, surgiu Ardhanarishvara, a representação do masculino e do feminino em conjunção e complementaridade.

GANGA – É a deusa que assumiu a forma do rio Ganges, o rio mais sagrado para os hindus. Reza o mito que certa vez Vishnu transpirou e Brahma recolheu esse suor e com ele preencheu seu Kamandal, o vaso que carrega em uma de suas mãos, e que simboliza a água da vida. Essa água foi derramada por Brahma sobre a Terra para fertilizá-la. Outro mito conta que a deusa Ganga assumiu a forma de um rio e desejou derramar-se desde as regiões celestes sobre o planeta, e para evitar o desastre que o impacto de suas águas causariam à Mãe Terra, Shiva acolheu a deusa em seus cabelos e assim o rio, ou seja, a deusa, escorreu suavemente pela cabeleira do deus, evitando que a Terra e a humanidade fossem danificadas.

JAGANNATHA – Jagannatha significa o Senhor do Universo. É um aspecto de Krishna adorado em toda a Índia, especialmente em Puri (Orissa). Um dos mitos sobre Jagannatha conta que um rei chamado Indradyuman era muito devoto de Vishnu e rezava sempre pedindo ao deus por sua salvação. Numa ocasião, Vishnu se apresentou ao rei e mandou que ele criasse uma estátua de Jagannatha, orientando como deveria ser feita e que dentro dela colocasse os restos mortais de Krishna, restos estes que tinham sido recolhidos e guardados dentro de uma caixa por devotos, depois que Krishna deixou o corpo físico. Vishnu, para facilitar a tarefa do rei, pediu a Vishwakarma, o arquiteto dos deuses, que fizesse uma imagem de Jagannatha. Vishwakarma aceitou a incumbência e pediu que enquanto estivesse fazendo a imagem não queria ser perturbado de forma nenhuma por qualquer pessoa. O rei ficou ardendo de curiosidade e dias depois foi dar uma espiada no trabalho do arquiteto celestial. Quando Vishwakarma percebeu o intruso, irritou-se demais e abandonou o trabalho. Este ficou incompleto, pois faltavam ainda as mãos e os pés da estátua. Desesperado e envergonhado, o rei orou a Brahma, pedindo que o ajudasse. Brahma respondeu que o rei poderia sossegar seu coração, pois futuramente essa imagem seria muito adorada e celebrada, e que ele, o próprio Brahma, assumiria forma humana, e viria celebrar os rituais de consagração. Disse também que as imagens de Jagannatha e de seu irmão Balarama e sua irmã Subhadra deveriam ser adoradas juntas e a cada 12 anos precisavam ser queimadas e construídas novas imagens. As figuras têm enormes olhos e bocas e são expressões artísticas características da região de Orissa. O festival do senhor Jagannatha é um dos mais importantes da Índia e acontece a cada 12 anos. Durante as festividades as figuras pintadas na madeira, ou em tecido, são retiradas do templo, banhadas no Ganges e levadas em procissão. Em seguida são queimadas e substituídas por novas imagens.

SESHA NAGA – É a deusa serpente que flutua no oceano primordial e que oferece seu corpo anelado para que Vishnu nele se deite, durma e sonhe o sonho da criação, e desse modo a vida manifestada continue existindo. A deusa serpente também é chamada Ananta Naga e é indestrutível. Quando o universo é reabsorvido durante o Pralaya só ela permanece. A deusa Ananta- Sesha aguarda então o momento do surgimento de um novo universo, para mais uma vez se colocar a serviço de Vishnu. Ela é testemunha eterna dos ciclos de criação, manutenção e destruição dos universos.

Existem inúmeros outros, porém estes são os mais populares.



CONCEITOS CRENÇAS E RITUAIS

O GURU – O Mestre

No hinduísmo o guru, o mestre, desempenha um papel de máxima importância. Ele é o educador do corpo físico da mente, do intelecto e o espírito dos seus discípulos. O guru conduz o discípulo ao autoconhecimento ensinando práticas como meditação, alimentação saudável, “muna”, abstinência de falar, autodisciplina emocional, a auto-indagação e auto-análise. Os cantos devocionais, bhajans, mantras sagrados, abrem portais de percepções sutis e fortalecem a fé e a devoção. O guru propicia a descoberta e prática dos valores humanos e espirituais, e principalmente orienta seus discípulos nos estudos das escrituras sagradas. O guru prepara seus discípulos para serem servidores amorosos e competentes dos seus semelhantes, da vida e do divino.
O mestre atua como um grande espelho onde os discípulos se refletem. Durante o processo de aprendizagem o discípulo descobre seus defeitos e virtudes, torna-se mais lúcido e verdadeiro, e desse modo se capacita para transmutar defeitos e aprimorar virtudes e talentos. O verdadeiro guru é aquele que pratica o que prega, é um mestre cujas palavras e ações inspiram mentes e corações. Seus ensinamentos visam dotar seus discípulos de autoconsciência. O verdadeiro guru promove no seu discípulo não a dependência, mas a autonomia. Para os adeptos do hinduísmo, servir ao guru, entregar-se aos seus ensinamentos e ao seu serviço, servindo a humanidade, é o primeiro passo no caminho para atingir a libertação da ignorância, livrar-se da ilusão, Maya, e obter a elevação espiritual.

SANTOS-GURUS E PERSONALIDADES SAGRADAS

KABIR  (1440 – 1519 D.C.)

Foi um grande poeta e considerado um santo. Nasceu em Kashi (Varanasi) sua poesia mística e seus ensinamentos pacifistas foram instrumento de luta contra a hipocrisia e a segregação religiosa. Kabir procurou eliminar a rivalidade religiosa entre hindus e muçulmanos. Sua origem é nebulosa. Reza o mito que ele foi encontrado flutuando num lago próximo de Kashi, tendo uma flor de lotos como berço. Um casal de muçulmanos o encontrou e o adotou como filho. Deram-lhe o nome de Kabir, que significa “grande” (ou grandioso em árabe). Desde a infância o menino demonstrava inteligência prodigiosa e sabedoria, por isso os pais o levaram até um guru hindu chamado Ramananda. Kabir tornou-se um poeta e um mestre muito respeitado. Foi amado tanto por hindus quanto por muçulmanos e até hoje é venerado por ambos. Ele pregava a unidade entre os homens e não aceitava a divisão da sociedade em castas; pregava também a unidade religiosa pela fé e reverência às diferentes escolhas humanas. Por essa razão, os hindus e muçulmanos ortodoxos o caluniavam e tentavam desacreditá-lo na sociedade. Kabir também era contrário a rituais e formalidades religiosas, considerando essas praticas desnecessárias. Ele acreditava e ensinava a crença e a devoção voltadas para o deus único e sem forma, a Nirguna Bhakti. Sua poesia criticava o comportamento sectário dos mullahs, sacerdotes muçulmanos, e também dos pundits, sacerdotes hindus.

MAHAVIRA  (599 – 467 A.C.)
O príncipe Vardhman, nascido em Bihar, aos 30 anos abandonou o reino e renunciou às coisas mundanas, inclusive às próprias vestes. Depois de treze anos de vida ascética tornou-se um grande líder espiritual. O príncipe é reconhecido pelos adeptos como o vigésimo quarto “tirthandar”, mestre sagrado do jainismo. A partir daí passa a ser conhecido como Mahavira, Grande Herói. O Jainismo é uma filosofia e religião muito antiga que prega a não violência de maneira extremada. Seus adeptos andam despidos por considerarem a nudez uma expressão de renúncia e santidade. Alguns usam máscara, tapando o nariz e a boca para não inalar eventualmente algum inseto. Procuram não ferir ou matar nenhum ser vivo na natureza. Essa filosofia teve influência sobre o hinduísmo, principalmente no conceito da alimentação vegetariana. No jainismo a meta é a liberação total das tentações mundanas e viver sem deixar rastros.  

MEERA BAI  (1499-1546 D.C.)

Ela é uma personalidade sagrada para os hindus, é considerada uma encarnação de Radha, a gopi, pastora, que venerava Krishna (Radha é representada nas gravuras e estátuas como uma extensão feminina de Krishna). Meera Bai desde criança adorava Krishna. Quando atingiu a idade de casar-se sua família escolheu para ela um jovem chamado Rana. Tanto o marido como os sogros não aceitavam a imensa devoção que ela nutria por Krishna, e muito a fizeram sofrer. Eles chegaram a espalhar boatos maldosos ferindo sua honestidade e debochando de sua devoção. O marido, por ciúme, tentou matá-la várias vezes. Miraculosamente ela foi salva da morte todas as vezes, pela intervenção de Krishna. Conta-se que numa ocasião colocaram uma serpente venenosa para picar seus pés e matá-la envenenada. Krishna transformou a serpente em uma guirlanda de flores e a salvou. Quando seu marido morreu prematuramente, ela se recusou a ficar com os sogros e seguir sofrendo. Meera Bai foi então para Brindavan, uma cidade sagrada onde Krishna passou sua infância. Lá, ela deu continuidade aos seus cantos e poemas devocionais. Estabeleceu-se depois em Mathura,  cidade onde nasceu Krishna, e por isso considerada sagrada. Tornou-se famosa por suas orações e cantos devocionais, orações e cantos que continuam sendo muito populares até os dias de hoje.

NANAK  (1469-1539 D.C.)

Foi o fundador do Sikhismo. Era poeta e divulgava em seus poemas mensagens de paz e unidade entre os homens. Costumava cantar cantos e mantras e com eles atraía adeptos. Esses cantos estão reunidos em um livro intitulado Adi Granth, um dos livros sagrados para os sikhs. Suas canções eram cantadas por toda a comunidade onde vivia. Algumas são indicadas para ser cantadas pela manhã – são intituladas Japi Ji ,e descrevem as várias etapas no caminho espiritual até o ser humano atingir a salvação. Outras são indicadas para ser cantadas a noite e chamam-se Sohila. Nanak inventou uma simplificação do sânscrito denominada Gurmukhi. Ele reuniu hinos e cantos devocionais compostos por diversos gurus, sikhs, hindus e muçulmanos, num compêndio intitulado Adi Grnath. Nanak era um místico e um pacifista, foi o primeiro guru do sikhismo. Sua popularidae era muito grande e devido a isso hindus e mongóis muçulmanos se voltaram contra ele. Ele foi feito prisioneiro e sofreu torturas até morrer. Depois de sua morte outros gurus o sucederam, mas foi Guru Arjuna, o quinto guru, quem fez do sikhismo uma religião. O décimo guru, Govinda Singh, fez do sikhismo uma militância política e foi quem deu início à tradição do uso do “kesh”(cabelos e barbas longos) ter sempre consigo o “kanghi” (um pente), a “kirpan” ( uma faca curva) e o “karha” ( um bracelete de aço). Ele decretou que todos os homens portariam o mesmo sobrenome Singh, e todas as mulheres teriam como sobrenome Kaur. Com isso pretendia eliminar o sistema social baseado em castas.

RAMAKRISHNA PARAMAHANSA  (1836-1886 D.C.)

Numa época de predominância inglesa, espalhou-se pela Índia uma onda cultural pró-ocidente, e entre os hindus crescia muito o número de conversões religiosas. O domínio inglês depreciava a milenar cultura indiana e humilhava e excluía socialmente os indianos. Ramakrishna foi um baluarte do hinduísmo, um santo que restaurou no coração dos hindus a dignidade, e também o amor e o respeito por sua própria cultura e pelas tradições filosóficas e religiosas da Índia. Era um místico que apresentava fenômenos paranormais, e um santo erudito extraordinário, isto sem nunca ter freqüentado nenhuma escola. Ele era devoto da Mãe Divina, e na infância cuidava do templo dedicado a Kali- um aspecto da divina Mãe. Certo dia teve uma visão da deusa, e a partir daí tornou-se um asceta e um sábio conhecedor de todas as escrituras sagradas. Foi o guru de Vivekananda, um grande mestre e filósofo indiano, escolhido pelo mestre para ser o continuador de sua obra. Existem Missões Kamakrishna espalhadas por todo o mundo.

SAI BABA DE SHIRDI (1838-1918 D.C.)

Nasceu numa aldeia chamada Parthi, era filho de um casal brahmane, Ganga Bhavaria e Devagiri Yamma. Conta-se que certa vez, quando era ainda uma criança, ele abriu a boca, e sua mãe e as pessoas que estavam presentes viram no céu da boca do menino a imagem de Shiva. A partir de então as pessoas passaram a venerá-lo. Tornou-se pregador muito jovem. Conhecia as escrituras sagradas do hinduísmo e ensinava a igualdade na diversidade de raças e religiões. Isso enfureceu especialmente os adeptos ortodoxos do hinduísmo e do islamismo que viviam no lugar. Sua mãe, temerosa das conseqüências desse acirramento religioso, levou o filho para um orfanato que ficava numa aldeia próxima. A instituição era dirigida por um sábio muçulmano, e assim o menino conheceu em profundidade também o Alcorão. Depois de algum tempo, já rapaz, ele seguiu para Shirdi. Em Shirdi viveu no início, sob uma árvore frondosa, lá permanecendo em meditação por um tempo, e logo depois se mudou para uma mesquita abandonada chamada Dwarakamai. Ele personificava por suas palavras e ações a perfeição espiritual. Sua bondade, sabedoria, compaixão e pureza espiritual foi motivo de reverência e adoração dos moradores locais que passaram a chamá-lo Sai (santo) Baba (pai).Tinha poderes extraordinários, curava as pessoas de enfermidades físicas e espirituais com um simples olhar. Na mesquita onde vivia mantinha sempre um fogo aceso, e todos que o procuravam recebiam um pouco das cinzas como uma benção. Para os seus devotos, Sai Baba de Shirdi foi uma encarnação de Shiva. Sai Baba de Shirdi realizou inúmeros milagres quando vivo e afirmou para alguns devotos que ia desencarnar em breve, mas que voltaria oito anos depois no seio de uma família muito religiosa e viveria numa aldeia no sul da Índia. Ele continua sendo venerado por milhares de devotos espalhados pela Índia e pelo mundo afora.

SWAMI DAYANANDA  (1824-1883 D.C.)

Nasceu numa família rica de brâmanes em Morvi, no Gujurat, e seus pais lhe deram o nome de Mool Shankar. Quando atingiu a idade de casar, rebelou-se, não aceitou a imposição da família e fugiu. Foi quando conheceu e foi acolhido por um guru, cujo nome não tem registro histórico, e este mudou o seu nome para Shuddha Chaitanya. Mais tarde, aos 24 anos, ele encontrou outro guru de nome Swami Poornandada Saraswati, que foi seu mestre e o nomeou Swami Dayananda Saraswati.
Foi em Mathura, porém, que ele conheceu mais profundamente os Vedas, através do guru Swami Vrijananda. Mergulhou nos estudos da filosofia vedanta e se tornou um erudito muito respeitado. Swami Dayananda Saraswati foi um reformista e fundou um movimento denominado Arya Samaj. Foi um conhecedor profundo do sânscrito e das escrituras sagradas do hinduísmo. Criticou veementemente a sociedade excludente formada pelo sistema de castas. Criou vários ashrams que são centros de excelência no estudo da filosofia védica.



SRI VIVEKANANDA  (1863-1902)

O menino Narendranath Datta nasceu numa família abastada e erudita. Estudou em bons colégios e sua formação familiar se dividia entre a racionalidade paterna e a religiosidade materna. Cresceu avesso a assuntos religiosos até que, na faculdade, um colega o levou para conhecer Sri Ramakrishna. Depois de assistir durante algum tempo as palestras do mestre, pediu ao mestre que lhe propiciasse uma experiência espiritual transformadora. O mestre atendeu ao seu pedido e colocou a mão em seu chakra cardíaco. O jovem Narendra mergulhou numa epifania transcendental, uma vivência mística profunda, e dela renasceu Vivekananda (a bem-aventurança do discernimento), nome que o mestre lhe deu. Ramakrishna o escolheu para ser o continuador de sua obra. Após a morte do seu guru, Vivekanada tornou-se um monge itinerante, pregando por toda a Índia. Extraordinário conferencista e filósofo, levou para o ocidente a Filosofia Vedanta (não dualismo). Permaneceu dois anos nos Estados Unidos ministrando cursos em universidades e dando palestras. Deu confêrencias pela Europa toda e levou seus ensinamentos também ao Japão. Fundou a missão Ramakrishna e esta se espalhou por vários países do mundo. Deixou uma vasta obra literária contendo ensinamentos filosóficos extraordinários identificados pela marca do seu luminoso discernimento. Morreu enquanto meditava e foi cremado na margem do Ganges, como o fora anteriormente seu grande guru.

RAMANA MAHARISHI (1879-1950)

Nasceu na aldeia de Tiruchuzhi, no sul da Índia, e recebeu dos pais o nome de Ventakaraman. Sua família era de poucos recursos e quando o menino tinha 12 anos o seu pai faleceu. A mãe então mudou-se com os filhos para a casa de uns parentes em Madura. Ele foi um adolescente religioso e aos 16 anos teve uma experiência mística que mudou sua vida estruturalmente. Depois disso, saiu de casa e se dirigiu ao Monte Arunachala, no Himalaya. Segundo a mitologia hindu, este foi o local onde Shiva apareceu para os devotos sob a forma de uma gigantesca  e chamejante coluna de luz. O jovem construiu um ashram ao pé do monte Arunachala, e logo multidões acorriam até ele para ouvir seus ensinamentos. Dotado de imensa sabedoria e doçura, ele ensinou o Caminho do Autoconhecimento e o Caminho da Renúncia através da auto-indagação “vichara”: a pergunta “Quem sou eu?” Ramana Maharishi é considerado um dos mais sábios inspirados e importantes mestres já existentes na Índia. Ele deixou como legado a abertura para a autorrealização acessível a todos os seres que buscam verdadeiramente o conhecimento, independentemente da profissão e das condições de sua vida na sociedade. Antes dele a autorrealização era restrita aos monges reclusos ou andarilhos renunciantes.
Ao sentir que ia morrer, deitou-se, respirou profundamente e reteve a respiração. Foi quando seus devotos perceberam que havia morrido. Ele deixou discípulos espalhados pelo mundo inteiro.

SRI AUROBINDO (1872-1950)

Nasceu em Calcutá e recebeu de seus pais o nome de Aurobindo Akroyd Ghosh. Foi criado na Índia e sempre demonstrou muito interesse pelos estudos. Viajou para a Inglaterra onde concluiu seus estudos e tornou-se um intelectual reconhecido pelo seu talento e erudição: falava vários idiomas e era profundo conhecedor de filosofia oriental e ocidental. Era escritor, poeta e iogue. Voltou à Índia porque sentiu necessidade de encontrar suas raízes e conhecer melhor a sabedoria ancestral do seu país. Trabalhou para entidades governamentais na área de educação e foi um grande educador. Teve importante participação no movimento nacionalista e revolucionário que resultou na independência da Índia do jugo inglês. Como militante político, foi preso e durante sua estadia na prisão aprofundou seu conhecimento das filosofias hindus e desenvolveu sua própria visão de mundo e compreensão do que era o verdadeiro progresso humano, social e evolução espiritual. Nesse período teve varias experiências transcendentais que mudaram as estruturas de sua consciência. Quando foi solto, desistiu da militância política e dirigiu-se ao sul da Índia para dedicar-se à sua missão espiritual. Seus aforismos e suas frases se notabilizaram pela sabedoria e profundidade. Seu pensamento integrador de raças, credos e gêneros inspirou seus seguidores, que criaram uma comunidade ecológica e espiritual chamada Auroville, na localidade de Pondicherry. Após sua morte, Auroville permanece como o testemunho da realização de um sonho de convivência humana pacifica, criativa e espiritualista.

SWAMI SIVANANDA SARASWATI (1887-1963)

Nasceu numa família brâmane; seu pai era oficial do exército, ao tempo em que exercia as funções de sacerdote, o que é raro acontecer. Um só homem nascido em uma casta de sacerdotes exercia função da casta dos kshatryas, os guerreiros, governantes defensores do Dharma. Foi um menino religioso e muito interessado em saber como curar os males físicos. Esse interesse o levou a estudar medicina. Quando estava fazendo estágio em um grande hospital, devido ao falecimento do pai, teve que interromper a sua formação. Para se manter e pagar a complementação dos seus estudos, criou um jornal sobre medicina chamado Ambrosia, onde ele era o redator, o editor, o articulista e o diretor. Apesar de ser um jornal pequeno, a qualidade das matérias era muito boa, e logo o jornal ficou famoso no meio médico. Logo a seguir, o jovem médico foi contratado para dirigir um hospital na Malásia Britânica. Especializou-se em oftalmologia e voltou à Índia. Era um pesquisador profundo da importância da mente e sua ligação e comprometimento com as doenças físicas.
Muito interessado em filosofia e espiritualidade, além de pesquisador de novas metodologias médicas, ele passa a utilizar ervas raras colhidas na região do Himalaia e com elas criar medicamentos. Atendia às populações carentes graciosamente e era adorado pelas pessoas da comunidade onde vivia. Escolheu como missão curar corpos e mentes e conduzir as pessoas para o despertar da espiritualidade. Desenvolveu várias técnicas de meditação, tornou-se swami e escreveu inúmeros livros sobre ioga e filosofia. Brama Vidya – O Conhecimento de Deus – é o primeiro de uma série. Swami Sivananda é adorado por milhares de devotos em todo o mundo em especial os por adeptos da Hata Yoga.

SATHYA SAI BABA (1926-2011)

Nasceu na aldeia de Puttaparthi, no sul da Índia, e seus pais deram-lhe o nome de Satyanarayana Raju. Um fato inusitado ocorreu quando o recém-nascido foi colocado, como é costume na tradição hindu, sobre um pedaço de tecido feito de linho para filtrar as energias que o contaminaram na descida de dimensões superiores. Sob o tecido alguma coisa se movia. A mãe levantou o pano para verificar do que se tratava e, para sua surpresa, apareceu uma naja, que logo inflou seu pescoço e posicionou-se para proteger a criança. Isso é um sinal muito auspicioso para os hindus, simbolizando que aquela criança é especial.
Contam os seu biógrafos que, da mesma maneira que surgiu, a serpente desapareceu. Outro fenômeno raro foi o fato de que os instrumentos utilizados durante as cerimônias de canto devocionais praticadas pela família começaram a soar. O menino apresentava inúmeros fenômenos físicos e na escola os professores se surpreendiam coma esses fenômeno e com a sabedoria do menino Sathyanarayana. Aos 14 anos entrou num estado de transe e quando despertou disse aos pais que mantivessem a casa e os corações limpos e que ele iria embora, porque seus devotos o aguardavam.
Junto com os aldeões ele construiu um ashram que logo abrigou inúmeras pessoas que vinham ouvir os ensinamentos do jovem mestre. Numa ocasião declarou que era a reencarnação de Sai Baba de Shirdi, e logo devotos do santo de Shirdi acorreram para ver e ouvir dele se realmente se tratava da reencarnação do mestre amado. Ao chegar eles viveram experiências que comprovaram ser verdadeira a afirmação e tornaram-se devotos seguidores de Sathya Sai.
A fama do jovem guru correu pela Índia e fora dela. Com o passar do tempo, Sathya Sai, com a ajuda de devotos criou um ashram imenso, uma cidade intermuros, para onde acorrem pessoas de todas as raças, religiões, níveis econômicos e culturais, em busca dos seus ensinamentos. Os fenômenos de materializações de objetos, jóias, e as curas físicas, mentais e espirituais que se sucederam e a multidão de visitantes de devotos cresceu progressivamente. Em deteminada ocasião, durante um discurso, ele afirmou que era um avatar (encarnação divina) e que sua avataridade se manifestou primeiro como Shirdi Sai, e que depois dessa vida voltaria passados 8 anos, quando assumiria a forma e a personalidade de Prema Sai.
Sua mensagem é universal e não privilegia nenhuma religião ou filosofia, tendo a unidade na diversidade como eixo.
Sathya Sai Baba criou uma obra educacional extraordinária que compreende desde escolas para o ensino fundamental até uma universidade. São instituições modelares que oferecem ensino de excelência. O ensino se baseia nos princípios fundamentais da consciência humana e tem como meta o  despertar, a conscientização e a prática dos valores humanos. É uma metodologia que contempla as dimensões físicas, intelectuais e espirituais do educando. O ensino é gratuito e reconhecido pelo governo indiano como de grande qualidade.
Construiu hospitais com tecnologia de ponta que oferecem atendimento gratuito na aldeia onde viveu, e também em Brindavan, uma aldeia próxima a cidade de Bangalore onde existe outro ashram, e mais um complexo educacional. Essa metodologia é hoje adotada por muitos países e existem escolas Sai espalhadas por todas as partes do mundo. Seus milhões de devotos o adoram e continuam a afluir até a aldeia para homenagear sua memória e manter viva a chama de sua mensagem. Sathya Sai Baba foi, sem dúvida, a liderança espiritual mais importante da Índia nos últimos tempos.

Inúmeros gurus - mestres , santos e personalidades sagradas são reverenciados  na Índia, porém os aqui mencionados se notabilizaram sobre maneira.


CONCEITOS

Atma- É o Eu transcendental. É o substrato onipresente da substância de todos os seres e de todas as coisas criadas. É o permanente e imutável na impermanência e mutabilidade da manifestação material da vida.

Maya – É a energia responsável por todas as formas fenomênicas, e estas são enganosas e ilusórias. É a grande ilusão universal que nos leva a crer no material e fugaz como real e permanente. Os véus de Maya sustentam a ignorância espiritual e ocultam a verdade do Eu. Maya nos leva à identificação com o eu transitório, o eu-personalidade, e nos torna embriados por nós mesmos.

Svastika – É o símbolo da cura cósmica em movimento. É a Terra girando em torno do seu eixo em comunhão com o cosmos. Simboliza também a evolução do planeta e da humanidade e os pontos cardeais. É desenhada no chão ou em quadros e paredes para garantir harmonia e felicidade, principalmente durante cerimônias e rituais. O deus Ganesh é simbolizado graficamente pela svastika.





Vaastu Shastra – São princípios orientadores da arquitetura védica que visam a otimização e o equilíbrio dos cinco elementos: terra, água, fogo, ar e éter,
 e das quatro direções. Os elementos determinam o magnetismo bioelétrico dos ambientes assim como o funcionamento harmônico dos organismos humanos e animais. Os cômodos da casa são dedicados às deidades que regem o horóscopo do proprietário e posicionam a ventilação, a luz, as portas e janelas. Esse sistema foi criado pelos sábios védicos para propiciar mais saúde, paz, e prosperidade nas residências e no local de trabalho.


Aadar Bhav – Na tradição hindu o respeito aos mais velhos é muito importante. E “aadar bhav” representa o ato de ajoelhar-se para tocar os pés de professores, avós, pais, e demais pessoas idosas da família. É um gesto que denota respeito e humildade diante daqueles que, por terem vivido mais, devem ser reverenciados por suas experiências e conseqüente conhecimento adquirido. O professor é tão reverenciado quanto pai, mãe e avós.


Padmanaskar – É o ato de ajoelhar-se e reverentemente tocar os pés ou as fímbrias da túnica de um mestre, ou o sári de uma mestra.

Brahma Mahurt – é o nome dado aos momentos que antecedem o amanhecer. É considerada a melhor hora para despertar e iniciar as atividades ritualísticas do dia. A higiene pessoal cuidadosa, as abluções ou se possível os banhos rituais no Ganges e a meditação. Isso é indicado para que as pessoas possam entrar em sintonia com a energia cósmica de renovação da vida. É indicado para que as pessoas possam usufruir o máximo possível dos benefícios da luz do sol antes de comer e ir trabalhar. As abluções e a higiene corporal cuidadosa foram colocadas como normas pelos “rishis” para obrigar a população a ter cuidados corporais, manter a saúde e evitar doenças.

Karma – Dentro da filosofia reencarnacionista, é o conceito de causa e efeito. Karma significa movimento, portanto, mutabilidade. Não se trata de vaticínio ou punição. Trazemos na vida atual “vasanas” sementes de karmas negativos e positivos. Elas são o resultado de ações praticadas em nascimentos anteriores. O karmas negativos precisam ser resgatados e os positivos são facilitadores no processo evolutivo em andamento na atual encarnação. Existe o karma pessoal, o karma familiar, o karma do país, do continente e do planeta. Para o hinduísmo karma não é castigo, é conseqüência, e é também uma lei que evidencia a misericórdia divina. É uma lei misericordiosa porque permite ao ser humano corrigir erros, aprimorar seu caráter e evoluir espiritualmente e assim evoluir do karma para o dharma. A meta é atingir “moksha”, a libertação de “sansara” o ciclo de nascimentos e mortes,

Sanatana Dharma – É o verdadeiro nome da fé hindu. A Eterna Lei. Interessante ressaltar que essa Lei (Dharma) não se restringe aos que têm fé. Todos os seres estão enraizados nela, condicionados por ela e por ela orientados. Nesse conceito se baseia a crença na igualdade dentro da diversidade e o fato de o hinduísmo considerar o mundo e a vida sagrados: a Terra é o planeta mãe e a humanidade uma só família.

O Som Sagrado – Para o hinduísmo todos os ritmos nascem do “damaru” – o tambor que Shiva ostenta às vezes amarrado ao Trishula, seu tridente, ou então o segura em uma de suas mãos, quando é representado como Nataraja, o rei da dança. O “OM” e todos os demais sons, audíveis ou não, emanam da “vina”, tangida pelos dedos da deusa Saraswati. Por esta razão, as cerimônias de adoração (“puja”) utilizam os “bhajans” (cantos devocionais). Esses cantos são ritmados e melódicos e atuam como orações e louvores. Nas escrituras sagradas hindus a música divina ressoa no universo e se compõe do som dos planetas e demais astros. A música das esferas é tocada pelos “gandarvas”, os músicos celestiais.

Teerth Yatra – É a denominação da peregrinação periódica que deve ser feita aos lugares sagrados. Teerth quer dizer “lugar às margens de um rio”, e esses locais sagrados ficam, por isso, às margens de rios sagrados, especialmente do Ganges. Hari Dwar, por exemplo, é uma cidade sagrada às margens do Ganges que costuma atrair milhares de peregrinos, assim como Varanasi e Rishikeshi. Os mestres e os sábios indicam as peregrinações como forma de autoconhecimento e desenvolvimento espiritual. Os antigos rishis viam nas peregrinações um modo de manter a população do país unida pela fé e pela sua cultura. Os pontos de reunião para os rituais e atos devocionais nos templos e por ocasião de Kumbha (grande congregação) localizam-se em pontos estratégicos, e o roteiro obriga o peregrino a atravessar regiões desconhecidas, lidar com o inesperado e pedir ajuda e conhecer novos costumes. O peregrino, além de internamente trabalhar seus pensamentos e emoções, desse modo tem oportunidade de confraternizar e solidarizar-se com as pessoas que encontra pelo caminho.

Kumbha Mela – É a congregação de milhões de sacerdotes, sadhus (homens santos renunciantes e itinerantes) e acontece a cada 12 anos. Ocorre em momentos cósmicos específicos para reverenciar e comungar com a energia emitida sobre o planeta Terra por determinada configuração astral e alinhamento planetário.

Tilak – É uma marca que o sacerdote coloca na testa do devoto. A marca é feita com um pó vermelho chamado “roli” e água e nessa marca vermelha o sacerdote coloca alguns grãos de arroz. O pó vermelho simboliza o sangue e o arroz o sêmen, o esperma fecundador. É um símbolo de regeneração da vitalidade física e de fecundidade para homens e mulheres.

Suhaag – É a denominação dada à felicidade feminina no casamento. Significa que a esposa ama seu marido e que ele está vivo. Ela demonstra isso usando o “sindoor”, um ponto feito com pó vermelho no meio da risca que divide o seu cabelo ao meio. Pode ser também o “bindi” um ponto vermelho no meio da testa. Este bindi também pode ser usado como adorno feito de pedras os adesivos tanto pelas casadas quanto pelas solteiras. A esposa feliz também deve usar adereços nos cabelos, braceletes nos pulsos e anéis nos dedos dos pés. Se quiser pode ostentar o “mangala sutra”, o colar que recebeu do marido por ocasião da cerimônia do casamento.

Japamala – É uma espécie de rosário feito de cristal de rocha e outras pedras, madeira de sândalo, ou contas de rudraksha, uma semente dedicada a Shiva. Esse tipo de rosário é usado no pescoço, no pulso ou no tornozelo. O japamala é usado para oração e também como um recurso facilitador da concentração durante as meditações. O devoto, para utilizá-lo, deve segurá-lo entre os dedos, indicador e polegar e, à medida que recita um mantra, deve rolar a conta massageando as terminações nervosas localizadas nas pontas dos dedos. Isso auxilia o relaxamento físico e o esvaziamento da mente. O rosário é feito de 108 contas porque essa é a soma que resulta no número 9, que por sua vez é o numero da manifestação da divindade. É o número que se relaciona com as 27 constelações do zodíaco védico, onde cada constelação se compõe de 4 fases. Ou seja, 27x4 = 108, e isso significa a convergência energética de todo o espaço sideral.

PLANTAS SAGRADAS

Todas as tradições religiosas oriundas de civilizações fundamentalmente enraizadas na agricultura sacralizam plantas e raízes. O hinduísmo não foge à regra. A seguir vamos nomear algumas das principais plantas sagradas dessa tradição.

Tulasi – É adorada como uma representação vegetal de Krishna. Corresponde ao manjericão, e pode ser encontrada plantada em canteiros ou em vasos, na entrada de residências de devotos de Krishna, ou em frente aos templos a ele dedicados. Existe uma lenda que diz que o Tulasi é uma manifestação devocional de Radha, a pastora que segundo o hinduísmo, é exemplo da mais perfeita adoração e entrega devocional a Krishna.

Bilva – Árvore cujo fruto é uma manifestação vegetal de Shiva.

Neem – Nos galhos dessa árvore majestosa os devotos colocam fitas coloridas amarradas com nós; essas fitas carregam o fervor da sua fé e contêm os seus pedidos escritos. Os devotos, dessa maneira, rogam e esperam que Shiva atenda seus desejos. E quando os desejos são atendidos, eles depositam ex-votos aos pés do tronco da árvore sagrada.

Rudraksha – é uma semente sagrada que, segundo o mito, ajuda o devoto a entrar em meditação profunda e conseguir sintonia energética com Shiva.

Jasmim – É a planta cuja flor emite um aroma inebriante que desperta níveis espirituais adormecidos. Os devotos do guru Sathya Sai Baba afirmam ser o odor que indica a presença do mestre. Sathya Sai Baba, certa ocasião, teria tocado com as mãos um lenço oferecido por uma pessoa, e ao seu toque o lenço teria ficado inundado do aroma de jasmim.

Flor-de-Lótus – Mais do que uma planta sagrada, a flor-de-lótus é um símbolo de espiritualidade na Índia e no Egito e em todo o extremo oriente. O lótus na mitologia hindu está presente, pois nasce no umbigo de Narayana-Vishnu e seu caule se desenvolve como um cordão umbilical para desabrochar numa flor aberta onde Brahma surge e desperta para mais um Pralaya, um ciclo de criação e manifestação. O lótus tem algumas características muito importantes para a mitologia hindu. A flor nasce no lodo, simbolizando a ignorância espiritual, eleva-se e floresce sempre direcionada para a luz, simbolizando a verdade do espírito. Suas pétalas não retêm nada, nem mesmo a água da chuva, simbolizando o desapego. A flor em botão tem a forma de um coração. Quando o botão desabrocha, suas pétalas se abrem plenamente para se alimentar da luz do sol. Quando a flor fenece, suas pétalas murcham, mas não se desprendem de imediato; só acontece o desprendimento quando a semente surge para garantir um novo ciclo de existência. Isso simboliza o processo de desprendimento da matéria e a reencarnação. Portanto, assim como a flor-de-lótus, o ser humano nasce potencialmente amor. O botão desabrocha para se nutrir de luz (o conhecimento espiritual), depois fenece, morre e se desprende para renascer novamente. Interessante salientar que a semente da flor-de-lótus pode viver sem água até 5.000 anos e ao ser umedecida volta a germinar.

Bangue – No Atharva Veda, texto datado de 1400 anos a.C, encontram-se textos sobre esta erva. Também chamada ganja, é utilizada por devotos de Shiva e sacerdotes como uma erva facilitadora na busca da obtenção de uma conexão espiritual mais profunda com a energia de Shiva. Essa erva é mascada ou inalada pelos usuários.

VARNA  - O SISTEMA DE CASTAS

Reza a mitologia e alguns textos sagrados que as hierarquias que formaram o povo de Bharata (antigo nome da Índia) eram provenientes da Terra, da Lua e do Sol e de outros estrelas. Os dirigentes e reis teriam descendência terrena, lunar e estelar. O sistema de castas foi criado para diferenciar a origem de cada dinastia e garantir a pureza essencial das raças nas sucessivas gerações.  No Dharma Shastra, o Código de Manu, o iniciador da raça e seu principal legislador, estão descritas as seguintes classes sociais que segundo ele garantiriam uma sociedade justa e harmônica, baseada nos talentos e capacidades de servir de cada grupo de indivíduos:

Brâmanes – nascidos da boca de Paramatma, do corpo do divino. Eles seriam dotados de qualidades para conhecer e transmitir a palavra da divindade, ensinar as escrituras, oficiar rituais e demais atividades espirituais.

Kshatryas – nascidos dos braços de Paramatma para defender o Dharma, a Lei Cósmica Eterna. Dotados de qualidade para governar, administrar e garantir a ordem. Os reis e guerreiros.

Vaishyas – nascidos das coxas de Paramatma, para gerar prosperidade social e prover as necessidades básicas da população. São dotados de qualidades para comercializar a produção de mercadorias e demais atividades relativas ao comercio.

Shudras – nascidos dos pés de Paramatma, são destinados e qualificados para plantar a terra, cumprir tarefas rurais como pastoreio, pesca e todo tipo de atividade laboral no campo e na cidade.

Tempos depois surgiram os párias, dálites ou intocáveis. A origem dessa casta seria a desobediência ao “bhang”– o conjunto de normas e atribuições das suas respectivas castas. Foram banidos devido à violação das normas, e por isso são considerados impuros e espúrios. Eles cuidam da limpeza de dejetos humanos e animais, lixo, e de crematórios. Portanto, não se trata de uma casta ditada por Manu, mas dentro da sociedade hindu. Mahatma Gandhi durante a sua campanha pela libertação da Índia do jugo inglês, insurgiu-se veementemente contra essa idéia separatista e desumana da sociedade. Para exemplificar a defesa dos párias ele visitava seus guetos e fazia o serviço a eles atribuídos, como limpeza de latrinas de banheiros públicos e outras mais. Atualmente, o governo indiano estabeleceu uma lei que visa abolir essa segregação social, tornando-a ilegal e passível de punição por encarceramento.



SANSKARAS
SACRAMENTOS E RITUAIS HINDUS

Os sacramentos e rituais no hinduísmo têm a função de conectar o indivíduo ao universo através do sagrado. Despertar a consciência para a importância da encarnação como etapa a ser cumprida na evolução do espírito. A valorização do aqui e agora como soma do passado e alicerce do futuro. Desse modo, existem rituais para atrair a graça divina, a harmonia e a prosperidade para a pessoa, a família, a sociedade, o país e o planeta. Esses rituais são rituais de passagem oficiados por sacerdotes e existem hinos e cânticos sagrados destinados a cada um deles. Existem 16 sanskaras, os quais o adepto da tradição hindu deverá realizar desde o nascimento até a morte. Existem também rituais que são realizados antes do nascimento do bebê para santificar o feto e garantir que a mãe tenha uma gestação saudável e alegre. Esses rituais visam também afastar influências espirituais negativas tanto para a mãe quanto para o feto. Para o hinduísmo o feto interage com a mãe e com o mundo exterior, sente e ouve tudo o que a mãe sente e ouve e tem memória. Portanto, a criança não é uma tela em branco; ela traz em si sua história planetária e trajetória cósmica.

RITUAIS DA INFÂNCIA

Jatkarma – Um pouco antes do cordão umbilical ser cortado é oficiado esse ritual. O pai coloca nos lábios do filho um pouco de mel para que ele (a) possa ter uma vida doce e prazerosa. Nessa ocasião, orações são feitas pedindo que o bebê tenha uma vida saudável, útil e longa e que sua encarnação seja proveitosa.

Namkaran – Nessa tradição, o nome do bebê só é dito no 12º dia depois do nascimento. Este ritual acontece para dar a criança um nome que lhe traga vibrações auspiciosas.

Nishkarman – Este ritual acontece quatro meses depois que o bebê nasceu. É a celebração da primeira saída de casa da criança. É o seu primeiro contato com a sociedade, com a comunidade do lugar onde reside. Esse ritual é uma proteção contra negatividades.

Annaprasan – Celebra a primeira vez que a criança ingere um alimento sólido, aos seis meses de vida. Para o hinduísmo os alimentos definem a saúde, qualidade dos pensamentos e das emoções. Por isso, antes de ingerir qualquer alimento, o hindu ora, oferecendo-o à divindade, para que seja eliminada toda e qualquer energia negativa que porventura tenha sido passada para o alimento por quem o tenha feito.

Chudakaran – É o ritual do primeiro corte de cabelo e acontece entre os 3 e os 5 anos de idade.

Karnvedh – É um ritual de embelezamento. O cuidado pessoal, a higiene corporal e conexão com a beleza são muito importantes no hinduísmo. A conexão com a beleza gera uma visão de mundo baseada nas possibilidades onde as dificuldades são resolvidas com fé e criatividade. Este ritual acontece quando a criança fura as orelhas e recebe o primeiro brinco. Em geral os brincos são colocados nas meninas embora alguns meninos também adotem esse adorno.

SANSKARAS PARA A EDUCAÇÃO

Vidyarambha – Vidya significa conhecimento, e este ritual é feito quando tem início a alfabetização. A criança aprende a importância do conhecimento formal e do conhecimento espiritual. Ocorre aos 7 anos de idade.

Upnayan – É a apresentação e introdução do jovem ou da jovem na sociedade. Neste ritual o sacerdote e os pais transmitem ao jovem os valores, preceitos, atribuições e diretrizes correspondentes à casta a qual pertence. Na passagem para a adolescência o menino recebe o “janeu”, um cordão considerado sagrado que lhe cinge a cintura demarcando a passagem de criança para adolescente.

Vedarambha – É quando o jovem inicia seus estudos sobre a literatura védica e as várias filosofias do hinduísmo. Esse estudo em geral acontece na casa de um sacerdote ou no ashram pertencente a um determinado guru.

Keshant – É o ritual correspondente ao primeiro barbear do jovem. Nos tempos antigos e algumas famílias ainda hoje, nessa ocasião presenteiam o guru com uma vaca para garantir o fornecimento de leite para o mestre. E o fazem como símbolo de gratidão e reverência.

Samavartan – Este ritual marca o final dos estudos formais e espirituais do jovem. Se ele os cumpriu num ashram é o momento da saída do eremitério e da volta para a casa paterna. Este sanskar é fundamental e marca a entrada na vida adulta. Sem passar por ele o jovem não pode se casar.

Vivah – É o ritual de preparação para o casamento, quando são transmitidos os princípios que devem reger a conduta do marido ou da esposa, e as atribuições familiares e sociais de acordo com cada casta. Geralmente acontece quando o rapaz adquire independência econômica e quando a moça e sua família decidem que é chegada a hora de contratar o casamento, já que nessa tradição os pais escolhem os cônjuges.

Antyeshti – É o ritual feito pelos familiares e parente mais íntimos quando morre um membro da família. Esse ritual consta de orações que visam facilitar o desligamento do espírito do corpo físico com o mínimo de sofrimento e o encaminhamento para uma dimensão de aprendizado superior.


FESTIVAIS E CELEBRAÇÕES

Os festivais sagrados e as celebrações populares do hinduísmo obedecem ao calendário lunar e por isso as datas não são fixas. O sistema baseado no ciclo lunar chama-se Panchang. As datas variam também de acordo com determinadas conjunções astrais consideradas compatíveis e auspiciosas para o bom termo da celebração. Esses festivais existem desde tempos muito antigos e têm cunho espiritual e atuam como oportunidades de congraçamento popular. Os festivais populares e os dedicados aos deuses propiciam o fortalecimento social e cultural, e a união do povo em torno da espiritualidade.  Têm a função de relembrar aos indianos a importância da prática dos valores humanos e espirituais, a vivência da unidade na diversidade e a reverência pelo sagrado em todas as suas manifestações. É o reconhecimento do poder transcendente e sua influência viva e atuante no cotidiano, a cada instante redesenhando o destino humano. Os festivais são elementos unificadores da cultura ancestral da Índia, assim como ressaltam princípios norteadores, valores e  propósitos fundamentais que estruturam a sociedade indiana.

O CALENDÁRIO HINDU E O CALENDÁRIO GREGORIANO

O calendário Hindu surgiu 57 anos antes do início da Era Cristã. É um calendário Lunar.
Do mesmo modo que o calendário Gregoriano, o calendário Hindu se constitui de 12 meses. Tem início a partir de “Samvatsar Parva”, o primeiro dia da Lua crescente de “Chair” – mês que corresponde a março-abril no calendário gregoriano.

MESES

Chair - Março-Abril
Baisakh – Abril - Maio
Jyesth – Maio – Junho
Ashadh – Junho - Julho
Shrava (Sawan) – Julho - Agosto
Bhadrapad (Bahadon)- Agosto – Setembro
Ashvin - Setembro - Outubro
Kartik – Outubro - Novembro
Marg Sheersh – Novembro - Dezembro
Paush – Dezembro - Janeiro
Magh – Janeiro - Fevereiro
Phalgun – Fevereito – Março

Todos os dias são chamados “tith” e cada um tem seu significado sagrado. Os “tith” se baseiam no movimento da Terra em relação ao Sol e à Lua. Por isso não têm exatamente 24 horas, ou seja, um deles pode corresponder a dois dias consecutivos e, desse modo, criar um descompasso com o calendário Gregoriano. As quinzenas lunares são importantes e chamam-se “parksh”. A quinzena em que a lua é brilhante denomina-se Poornima. A semana de 7 não existia no hinduísmo ancestral, somente a quinzena.

DIAS DA SEMANA

Sonvaar (dedicado a Shiva) – Segunda-feira
Mangalvaar (devotado a Hanuman) – Terça-feira
Budhvaar (devotado a Vishnu) – Quarta-feira
Brahspativar (devotado a Ganesha) – Quinta-feira
Shukravaar (devotado a Shiva-Shakti, a deusa) – Sexta-feira
Shanivaar (devotado à deusa no aspecto de Shani)
Ravivaar (devotado a Surya- o deus Sol) Domingo


DIFERENÇAS ENTRE OS CALENDÁRIOS SOLAR E LUNAR

O calendário solar Gregoriano tem 365 dias e o lunar 354 nos meses de ciclo lunar. Existe, devido a isso, o acréscimo de um mês após cada 30 meses lunares. No calendário Gregoriano a transição do Sol cai sempre no 20º ou 21º dia do mês. Já no calendário lunar denominado Vikram Samvata em homenagem ao rei Vikramaditya, a transição solar acontece por volta do 14º ou 15º dia do mês (ou seja, do mês do calendário Gregoriano).

PRINCIPAIS FESTIVAIS

PONGAL – é um festival muito importante para as populações rurais. Celebra-se a colheita e homeageia-se a Terra, Surya o deus do Sol, e Indra, o deus das chuvas. O festival dura 4 dias, simbolizando as 4 estações do ano e os 4 pontos cardiais. Além dos cantos e danças dedicados aos deuses, a população das aldeias costuma desenhar mandalas na calçada de suas casas. Essas mandalas são formadas com grãos, semente, raízes, frutos e flores, e no centro dessas mandalas eles colocam esterco. É uma mandala de agradecimento à Terra pelos seus produtos que garantem a subsistência; o esterco, nesse caso, simboliza a contribuição para a abundância da colheita e complementação do ciclo de alimentação, nutrição e dejetos.

MAKAR SANKRANTI – É um festival para celebrar a vida e louvar os deuses para ser merecedor de ir para um bom lugar após a morte. As orações são dedicadas especialmente ao deus Surya, o Senhor do Sol, fonte de toda a vida. Os banhos rituais acontecem nos rios das aldeias e também no rio Ganges, pelo povo habitante das cidades banhadas pelo Rio sagrado.

MAHA SHIVARATRHRI – A Grande Noite de Shiva. Um dos mais importantes festivais religiosos da Índia. Os devotos passam a noite em vigília cantando hinos para Shiva e Shakti, e também cantos devocionais,“bhajans”. É uma noite sagrada dedicada à energia transformadora da divindade. Os fiéis costumam jejuar e entrar em introspecção visando superar defeitos e maus hábitos físicos e mentais.

HOLI -  Acontece para celebrar a abundância das colheitas. Não se trata de um festival religioso, mas de uma celebração da vida e da alegria de estar vivo. A confraternização entre as pessoas das  comunidades, quer sejam rurais quer sejam urbanas, é muito intensa. Elas demonstram alegria e descontração, jogando pó colorido uns nos outros e dançando.

BHAIDOJ – É um festival que se comemora duas vezes durante o ano. Nessas datas as esposas vão visitar os seus pais para os reencontrar e confraternizar com seus familiares e amigos mais íntimos. Na tradição hinduísta, depois que a mulher se casa vai morar com a família do marido.

RAMA NAVAMI – É a celebração do dia em que o avatar Rama nasceu. A celebração é feita através da visitação aos templos dedicados a Rama onde a cerimônia de bhajans acontece em louvor dessa deidade.

NIRAJALA EKADASH – Acontece a cada 15 dias; no 11º dia da lua crescente, e no 11º dia da lua minguante. Durante esse festival as pessoas jejuam e procuram ajudar ao próximo mais intensamente, doando alimentos, roupas e objetos. Esse festival celebra a fé em ação através da caridade e a solidariedade.

GURU POORNIMA – É o festival dedicado ao guru, o mestre. É uma homenagem ao sábio Viasa, que escreveu o Mahabharata, um dos principais Puranas. Os devotos homenageiam Viasa na pessoa dos seus mestres espirituais, seus pais, avós e professores.

SINDHARA – É o festival das noras. Nessa data a família do marido homenageia a família da nora enviando flores, doces e outras iguarias para os pais da esposa do seu filho. É uma forma de agradecer à família da nora pela educação por eles dada a filha, e reiterar os laços familiares que os une. O motivo principal da celebração é explicitar o carinho e o apreço que sentem pelas noras.

RAKSHA BANDHAN – É o festival que celebra o amor entre os irmãos. Nessa ocasião irmãos e irmãs se abraçam e declaram solenemente o afeto que sentem uns pelos outros. Eles se visitam, caso morem fora da casa paterna, e se presenteiam mutuamente. As irmãs colocam uma fita de seda vermelha no pulso dos irmãos homens, num gesto de carinho e agradecimento. Esse gesto significa a certeza que têm de que os irmãos homens sempre as protegerão.

JANAM ASHTAMI – Celebração do nascimento de Krishna. Nas residências, templos e ashrams a celebração é feita com cantos devocionais dedicados ao avatar Krishna.

GANESH CHARTURTHI – Toda a Índia comemora intensamente o festival de Ganesha, porém a maior festa acontece em Maharahtra. Uma multidão de devotos sai às ruas cantando louvores para o deus-elefante. Uma grande estátua de Ganesha, confeccionada em papel maché, pintada e ricamente adornada com flores, é colocada em um andor e carregada nos ombros de devotos. O deus é venerado, as pessoas fazem orações e pedidos de graças e ao final se encaminham para o mar ou o rio Ganges e neles imergem a estátua. Simboliza que o deus da sabedoria retorna para o oceano de deleite, as águas primordiais do mundo superior.

NAVARATHRI – Durante 9 dias e 9 noites a deusa Durga é venerada através de ininterruptos cantos devocionais e hinos védicos a ela dedicados. Uma grande fogueira quadrada, simbolizando as 4 direções é acesa no centro do templo ou dos ashrams, e os sacerdotes lançam nesse fogo sacrificial “ghee” (manteiga clarificada), enquanto entoam hinos sagrados. A manteiga clarificada, esse líquido dourado, simboliza a pureza da mente. Durga é louvada nessa ocasião como a Shakti que cria novas ordens: a potência que elimina os demônios interiores e exteriores, ou seja, nossos maus pensamentos, maus hábitos e defeitos, e remove os obstáculos que impedem a realização dos nossos propósitos.

DIWALI – É conhecido como o festival das luzes. E inaugura o Ano Novo indiano. A deusa Lakshmi é louvada nesse festival como a divina portadora da luz, da harmonia na família, na sociedade e no planeta. Fogos de artifício espocam em profusão, lamparinas são acesas nas residências e nas lojas e estabelecimentos comerciais. As luzes são a manifestação da alegria, gratidão e adoração à deusa Lakshmi. A deusa da beleza, do amor e da prosperidade derrama nessa ocasião suas bênçãos planeta e toda a criação. Comemora-se também nessa ocasião a vitoria de Rama sobre Ravana e sua volta triunfal a Ayodhya depois do exílio. É a vitória da luz sobre as trevas e do Dharma, a Lei e a Ordem sobre o adharma, a iniqüidade.

DASARA – É um festival dedicado à deusa Durga. Nessa ocasião os devotos se confraternizam e fazem doações de alimentos e roupas aos necessitados. Para o hinduísmo a Mãe Divina, durante este festival, acolhe no seu coração os seus devotos, protege, ampara e orienta os seus filhos no caminho do bem, da justiça e do amor incondicional. É o festival da generosidade e do amor incondicional.

ONAM – É celebrado em toda a Índia, porém em especial em Kerala. É a volta da alegria, prosperidade e justiça simbolizadas pelo retorno do rei Maha Bali, que uma vez ao ano volta para visitar sua terra. O Rei Maha Bali é venerado como provedor de fartura e justiça e reinou no período dourado da civilização indiana na região de Kerala, no sul da Índia. Durante Onam comemora-se também o advento de Vamana, um avatar de Vishnu. Essa celebração dura 10 dias. As cidades e aldeias ficam engalanadas, diversos enfeites adornam as portas das casas, guirlandas e mandalas, e as ruas ficam forradas com  tapetes de flores.


LITERATURA SAGRADA


A literatura espiritual hindu é considerada a mais vasta, rica e profunda do mundo, pela quantidade de volumes, pela preciosidade filosófica e diversidade de expressão. Ela é classificada como revelada (Shruti) e narrada e memorizada (Smriti). As reveladas são os Vedas, e as Upanishads são os comentários filosóficos sobre os ensinamentos dos Vedas.

Os Vedas são quatro: Rig Veda, Sama Veda, Yajur Veda e Atharva Veda. Cada um deles contém um conjunto de textos que foram elaborados em diferentes épocas e contêm ensinamentos sobre a visão integrada do conhecimento humano: as artes, o autoconhecimento, a manutenção da saúde e a cura e os hinos e rituais mágicos para estabelecer a conexão do universo com o planeta, e dos deuses com os seres humanos.

TEXTOS VÉDICOS

Samhitas – São os textos védicos mais antigos. Neles encontram-se hinos e cânticos dedicados aos deuses védicos, fórmulas mágicas e invocações sagradas.

Brahmanas – Nesses textos estão instruções sobre o comportamento dos sacerdotes. O estudo das escrituras e os valores a serem vivenciados para que o sacerdote pratique o que prega. Contém também as orientações sobre as práticas sacerdotais, obrigações e lições de como organizar e oficiar os rituais.

Aranyakas – Esses textos foram reunidos por “rishis” –meditadores renunciantes que se retiraram para a floresta – e por isso são chamados “textos das florestas”. Eram ensinados em segredo, longe da população de cidades e aldeias, e transmitidos a um grupo seleto de iniciados. Esses textos ensinam, entre outras coisas, que os deuses vivem e pulsam na interioridade dos seres humanos; que nossa essência é divina e que nos cabe, através de práticas espirituais, estudos e reflexões, atingir a experiência e a conscientização do divino em nós e em tudo que existe.

Upanishads – São textos filosóficos de grande profundidade que versam sobre o Absoluto, a origem do universo e da vida, a essência do ser humano e a razão da existência.

Sutras – São tratados de sabedoria que versam sobre o conhecimento humano de modo geral. Contêm orientações sobre linguística, astronomia, astrologia, ética, moral, arquitetura, geometria, medicina, leis sociais etc

TEXTOS ÉPICOS

O Mahabharata -  É considerado o maior épico já escrito em toda a literatura universal. Foi escrito há 2 mil anos, em 90.000 versos, e é oito vezes mais longo que a Ilíada e a Odisséia de Homero reunidas. Foi terminado e formatado entre os séculos IV a.C e IV d.C. Narra a epopéia cósmica do homem sobre o planeta Terra. A batalha de Kurukshetra travada entre dois clãs arianos, os Pandavas e os Kauravas é o placo para os ensinamentos de Krishna que resultaram na Bhagavad Gita – A Canção do Senhor.

O Ramayana – Foi escrito pelo poeta Valmiki em 24 mil versos que formam os sete capítulos da obra. Foi escrito no século III a.C. Narra a epopéia do rei e avatar Rama.O Ramayana enfatiza a conduta do príncipe herdeiro do reino de Ayodia como exemplo de retidão. O épico é objeto de várias interpretações. O texto inquieta os estudiosos por suas narrativas simbólicas referentes à evolução humana e as descrições das batalhas onde naves espaciais chamadas “vimanas”, assim como armas cuja descrição se assemelham a mísseis, são utilizadas pelo exército de Rama e de Ravana, rei de Lanka.

PURANAS

São textos que contêm ensinamentos mitológicos, orientações de práticas espirituais, narrativas sobre a genealogia dos deuses, seus feitos e ensinamentos. Narram os fatos sob uma ótica mágica sem preocupação histórica. Existem 22 puranas considerados principais e 22 considerados secundários. Existem os puranas dedicados ao panteão védico e outros aos deuses dravídicos, e também aos diversos aspectos da deusa e às encarnações de Vishnu. O sábio Narada é contemplado com um purana, assim como Shiva, o Lingan, e Garuda, o homem-pássaro. O purana mais importante é o “Shrimad Bhagavatam”. Narra mitos, lendas e alegorias históricas sobre a ocupação ariana e os confrontos com as etnias autóctones, suas crenças e costumes. Nos dias atuais, nas casas de famílias indianas religiosas, este livro é exposto e reverenciado em lugar de destaque. Um costume semelhante ao cristão, pois em algumas residências, quer católicas quer protestantes, a Bíblia também é exposta e reverenciada.

TANTRAS

Os textos tântricos se dividem em Shivaistas e Vaishnavas ou Vishnuistas. Indicam métodos meditativos para o desenvolvimento de “sidhis” – poderes paranormais. Estes textos contêm também ensinamentos éticos e esotéricos. As práticas indicadas visam, através de posturas corporais, de fórmulas mágicas e também da sexualidade, atingir níveis mentais superiores e expansão de consciência. A deusa, em especial Kali, o aspecto oculto do feminino cósmico, a senhora do tempo e dos mais profundos mistérios, é adorada entre os adeptos do tantrismo. Os povos dravidianos que habitavam o sul da Índia tinham rituais de adoração à deusa e ritos sexuais desde a pré-historia. Esses ritos visavam a conjunção amorosa do masculino e do feminino, a superação dos opostos e a comunhão com a energia universal. Importante lembrar que a palavra ritual advém de “Rita”, palavra do sânscrito que significa, dança, movimento e criação de nova ordem. Daí a importância dos rituais como facilitadores de transformações para a criação de novas ordens e realidades.

AS UPANISHADS

Existe divergência entre os estudiosos da literatura védica quanto ao número de Upanishads, porém a maioria admite que inicialmente eram 108, levando-se em conta todas as compilações desde tempos muito antigos. Porém, Shankarasharya, o grande sábio e reformulador do hinduísmo, criador do pensamento adwaita do não dualismo, selecionou 11 dentre todas as Upanishads, e se deteve nelas. Shankaracharya se aprofundou no estudo e elaborou comentários sobre essas 11, embora em seus ensinamentos inclua citações de outras Upanishads. As 11 eleitas pelo grande sábio e criador da filosofia vedanta são:

ISHA
KENA
KATHA
PRASNA
MUDAKA
MADUKYA
TAITTIRYIA
CHANDOGYA
BRHADARANYAKA
SVETASVATARA

Estes textos são o substrato da filosofia vedanta e certamente devem ser os escolhidos por todos aqueles que pretendam conhecer em profundidade o pensamento védico.

26 comentários:

  1. Parabéns! Adorei o conteúdo e as imagens! Nunca tinha visto um site de mitologia com essa profundidade e riqueza de informações. Vou seguir e consultar sempre que preciso.

    Daniel Matos

    ResponderExcluir
  2. Estou adorando seguir esse bolg de mitologia, o conteúdo é maravilhoso e a formatação com imagens linda!
    Conceição

    ResponderExcluir
  3. O universo mitologico é mesmo fascinand! Esse blog estava fazendo falta...
    Parabens
    Vera

    ResponderExcluir
  4. Eu não conhecia nada sobre mitologia hindu e estou adorando seguir o blog e me inteirar dessa cultura milenar.
    Parabens!
    Antoieta

    ResponderExcluir
  5. Muitos Parabéns!!! Até agora uma das melhores pesquisas que já conheci na net sobre este assunto!!! Um Bem-Haja deste lado do Atlantico para outra alma-unicornio da Unipaz...
    António Prata

    ResponderExcluir
  6. Tive sorte em encontrar este seu blog. Queria breves informações em virtude de uma viagem próxima, mas descobri que nada pode ser breve nesse assunto tão complexo e poético.
    Obrigada.
    Neide Kertzman

    ResponderExcluir
  7. Gostaria de saber porque algumas entidades hindus tem a cor da pele azul, obrigada.

    ResponderExcluir
  8. Gostaria de saber por que existem deuses com várias faces? E há faces de jovens, velhos, azulados, animais etc.

    ResponderExcluir
  9. Muito bom o blog! Bem detalhado e com imagens bem bonitas! Gosto muito da cultura indiana, meu sonho é conhecer a Índia, quem sabe um dia não consigo, né? Legal mesmo!

    ResponderExcluir
  10. gostei muito principalmente da seriedade e respeito como é tratada a cultura hindu,e como vc passa esse conhecimento sem praticar o achismo mas mostrando ele ao mundo simplesmente sem inteferir,parabens que os deuses derramen suas bençãos sobre vc,reverencias

    ResponderExcluir
  11. Excelente trabalho, obrigado por compartilhar

    ResponderExcluir
  12. Acabei de conhecer sue blog querida Marilu Martinelli. Adorei! Está maravilhosa como sempre com todos os suas escritas, textos. É um bélissimo blog com muita informação com muita simplicidade e explicação de facil compreenção para quem não conhece nada e e interessado em conhecer sobre Hinduism ou cultura Indiana. Meus Parabens querida!!

    ResponderExcluir
  13. Prezada Marilu Martinelli.
    Valioso o seu trabalho. Porém me atrevo a observar que no item SANTOS-GURUS E PERSONALIDADES SAGRADAS foi atribuída foto que não corresponde ao fundador da Arya Samaj. A foto ali exposta é de SWAMI DAYANANDA , nascido no sul da Índia em 1953 e que alcançou o mahasamadhi em 23 de setembro de 2015.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Prezada Marilu.
      Minha observação poderá ser confirmada no site www.swamidayananda.org
      Respeitosamente ja.pepe@yahoo.com.br
      Namaste.

      Excluir
    2. Prezada Marilu

      CORRIGINDO: Swamy Dayananda com referido nas mensagens anteriores nasceu em 1930.

      Excluir
  14. Obrigado por compartilhar seu conhecimento. Maravilhoso blog... Parabéns!

    ResponderExcluir
  15. OS DEUSES DA NOVA ERA E JESUS CRISTO - O DEUS VIVO
    https://www.youtube.com/watch?v=qfK5MY_cR1E

    .
    .
    .
    __________

    A VOZ DE SATANÁS NA YOGA,
    E A INFLUÊNCIA DO HINDUÍSMO PAGÃO NO OCIDENTE.
    http://pt.slideshare.net/JUNIOROMNI30...
    .

    ** Ao redor do mundo, MILHARES DE PESSOAS, entregando-se a "NOVAS EXPERIÊNCIAS ESPIRITUAIS", já morreram, e outras foram parar num "MANICÔMIO"; pois elas ficaram "LOUCAS DE VERDADE", quando tentaram manipular forças espirituais.
    http://www.ebah.com.br/content/ABAAAg....

    Algumas pessoas cometeram o suicídio, e muitas mulheres foram estupradas por seus guias e mestres. Na busca pela "iluminação", muitas sessões de YOGA e MEDITAÇÃO acabam em "EMBRIAGUEZ", "CONSUMO DE DROGAS ALUCINÓGENAS", e também, "ORGIAS SEXUAIS", lideradas por gurus; homens que se dizem "iluminados".
    .
    .
    Muitos psiquiatras já relataram que tais pessoas buscavam desenvolver a famosa energia "KUNDALINI", que no hinduísmo, é a energia da "SERPENTE" que está enrolada na base da espinha dorsal, porém está adormecida.
    .
    Tais sessões de YOGA, serviriam para que as pessoas desenvolvessem o "PRANA", que é a energia vital universal que permeia o cosmo.

    Satanás, O PAI DA MENTIRA, usando "GURUS" que se dizem "iluminados", está enganando milhões de pessoas ao redor do mundo, com a famosa prática da YOGA. E na verdade, tal prática exige o ESVAZIAMENTO DA MENTE, para abrir "CAMINHO" à novas experiências.


    QUAIS SERIAM ESTAS EXPERIÊNCIAS?
    .
    - A POSSESSÃO MALIGNA?
    .
    - A ENTRADA DE DEMÔNIOS NA MENTE?
    .
    - A INFLUÊNCIA SATÂNICA, LEVANDO A PESSOA "DELIRAR", IMAGINANDO ESTAR EM OUTRA DIMENSÃO?
    .
    Na verdade... SIM !!!
    .
    .

    ResponderExcluir

  16. A chamada "ENERGIA DA SERPENTE" = "FORÇA KUNDALINI", ensina que o ser humano tem uma "COBRA" enrolada na base da espinha dorsal. E esta "COBRA" está adormecida. Mas, para "DESPERTAR A COBRA", para que ela possa subir por toda a espinha, é necessário a ENTREGA TOTAL, MAS COM MUITO CUIDADO; porque dizem, a "ENERGIA DA SERPENTE É PERIGOSA E PODE MATAR".
    .
    .
    VEJAM SE DEUS ESTÁ NISSO!
    .
    .
    Onde está escrito na Bíblia Sagrada que o ESPÍRITO SANTO na vida do cristão pode levá-lo à destruição? Ou à morte, caso a pessoa não saiba como controlá-LO. ???
    .
    Disse Jesus:
    .
    __"APRENDEI DE MIM, PORQUE SOU MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO" .
    - Mateus 11:29
    .
    .
    O ESPÍRITO SANTO É O PRÓPRIO SENHOR JESUS. Porque Ele mesmo disse:
    .
    ___"EU VOS ENVIAREI O CONSOLADOR. EU NÃO VOS DEIXAREI ÓRFÃOS, MAS VOLTAREI PARA VÓS..." - João 14:17-18
    .

    JESUS AFIRMA QUE ELE MESMO É O ESPÍRITO SANTO, E NÃO UMA "SERPENTE".
    .
    (...o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque Ele vive convosco e estará dentro de vós. Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós...)
    - João 14:17-18.
    .

    O livro do Apocalipse chama a "SERPENTE" de DIABO, DRAGÃO, e SATANÁS!
    .
    .
    "E foi precipitado o grande dragão, A ANTIGA SERPENTE, chamada O DIABO, e SATANÁS, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e OS SEUS ANJOS FORAM LANÇADOS COM ELE..." - Apocalipse 12:9.
    .
    .
    .
    Como pódemos ver, SATANÁS está por trás da "NOVA ERA". Ele está enganando e iludindo as pessoas com a YOGA e as práticas místicas do hinduísmo, também de outras falsas religiões que compõem o MOVIMENTO NOVA ERA.
    .
    .
    Que o Senhor Jesus - A VERDADEIRA LUZ DO MUNDO, O VERDADEIRO ILUMINADO -, possa abrir os seus olhos e te livrar das artimanhas de Satanás através da propaganda da NOVA ERA, diariamente em nossos dias. No rádio, TV, novelas, filmes, desenhos, músicas, revistas, internet, livros, CDs, DVDs, etc...
    .
    .
    O BOMBARDEIO DE SATANÁS É FORTE NA MÍDIA!
    .
    .
    .
    Mas os cristãos precisam ESTUDAR E PESQUISAR atentamente, para estar diante de Deus... "COMO OBREIRO APROVADO QUE MANEJA BEM A PALAVRA DA VERDADE" - 2 Timóteo 2:15
    .
    .
    .

    .
    (e o DIABO, que os enganava, FOI LANÇADO NO LAGO DE FOGO E ENXOFRE, onde estão a Besta e o Falso profeta, e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre...) - Apocalipse 20:10
    .
    .
    .

    Que Jesus Cristo salve a você e toda sua família!
    http://www.ebah.com.br/content/ABAAAg...
    .
    .
    .
    .* JUNIOR OMNI - 2015
    .
    .

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Meu caro Junior OMNI, Você já viu algum Hindu insultar outras religiões? Provavelmente a resposta é não. Porque respeitamos todas as crenças sem distinção. Eu poderia elaborar um testo aqui com as diversas loucuras que muitos crentes já cometeram em nome de sua fé, resultado de fanatismo em diferentes religiões. Mas, não é da minha índole pregar o certo ou errado, uma vez que respeito a fé de cada um. Para evitar esse tipo de comportamento, evite visitar as paginas com filosofias de crenças a qual você não acredita. O respeito a fé alheia é o principio da sua. Deus não escolhe religião. E o seu amor estende as mãos para todos os filhos. Somos todos irmãos uns dos outros em humanidade. Muita luz na sua vida. Namastê 🕉️

      Excluir
  17. Quais os traços e vestígios identificados por ALAIN DANIÉLOU no Jesus mítico ...que remontam ao Xivaísmo.
    Quem tiver literatura a respeito queira por favor, enviar para:
    consultorcomercial@gmail.com

    Grato
    Oiced Mocam

    PS:
    Parabéns pelo Blog!

    ResponderExcluir
  18. Ganhei um casal de hindus.
    Mas não encontro o sgnidicado deles.
    Ela segura como um pote redondo coas 2 mãos.
    Ele esta sentado com os braços cruzado e nao segura nada.
    Por favor me ajude.

    ResponderExcluir
  19. Olá Marilu muito obrigada por compartilhar o seu conhecimento conosco. Te mandei uma mensagem no face por favor você poderia dar uma olhada. Muito obrigada. Bjs Cristine

    ResponderExcluir
  20. Muito bom o seu blog. Profundo. Parabéns e obrigada.

    ResponderExcluir